João Luiz Passador, professor titular da USP, analisa dos dados da pesquisa da Fundação Seade sobre a população ribeirão-pretana
Projeções da Fundação Seade indicam que a população de Ribeirão Preto deve atingir seu pico em 2040, População de Ribeirão Preto deve começar, com cerca de 737 mil habitantes, e começar a diminuir a partir de então, chegando a aproximadamente 723 mil em 2050. Em 2025, a estimativa é de 709 mil moradores. Além disso, o envelhecimento populacional é uma tendência significativa: a proporção de pessoas com 75 anos ou mais deve quase dobrar até 2040, passando de 1,7% para 3,2% entre os homens e de 3% para 5,3% entre as mulheres.
Transição demográfica e envelhecimento: O professor João Luís Passador, da USP e coordenador do Centro de Estudos em Gestão e Políticas Públicas, explica que Ribeirão Preto reflete o fenômeno da transição demográfica, um processo em quatro fases que envolve a redução das taxas de natalidade e mortalidade associada ao desenvolvimento socioeconômico. A cidade está entrando na fase de estabilização, caracterizada pelo crescimento populacional lento ou em declínio, acompanhado pelo aumento da longevidade e mudança na pirâmide etária, que passa a ter base estreita e topo mais largo.
Desafios e adaptações necessárias: Segundo o professor, Ribeirão Preto e o Brasil possuem estruturas como o sistema previdenciário e de saúde que, apesar de desafios, ainda funcionam e podem ser adaptadas para atender a uma população mais envelhecida. Ele destaca a necessidade de políticas públicas focadas em saúde, mobilidade e infraestrutura para idosos, além da importância da educação para preparar uma força de trabalho mais qualificada, já que o mercado tende a demandar menos trabalhos manuais e mais serviços e tecnologia.
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Impactos socioeconômicos e oportunidades: O envelhecimento da população pode abrir novos mercados, como o da economia do cuidado, turismo e lazer para idosos, além de aumentar a demanda por profissionais especializados em geriatria. O professor ressalta que a participação de pessoas com mais de 50 anos no mercado de trabalho tende a crescer, contribuindo para a economia local. Ele também aponta a importância de políticas integradas na região metropolitana para distribuir melhor os recursos e a renda, reduzindo desigualdades espaciais.
Entenda melhor
A transição demográfica é um fenômeno global que descreve a mudança de altas taxas de natalidade e mortalidade para taxas baixas, resultando no envelhecimento da população. Esse processo está associado a avanços em saúde, educação, urbanização e mudanças culturais que influenciam o tamanho das famílias e a longevidade. Ribeirão Preto segue essa tendência, o que exige adaptações em políticas públicas e mercado de trabalho para garantir qualidade de vida e sustentabilidade econômica.



