Quem fala do caminho na busca pela equidade de gênero é Bruno Silva na coluna ‘De Olho na Política’
O programa Manhã CBN dedicou parte de sua grade à série “Mulheres que Inspiram” e colocou em pauta a presença feminina na política e as dificuldades que ainda atravessam o caminho para uma representação efetiva. Durante a conversa, foram abordados desde os instrumentos legais de cotas até a ligação entre representação política e a persistente onda de violência contra mulheres no país.
Quotas legais e a distância entre norma e prática
A legislação prevê que, nas disputas legislativas, pelo menos 30% das vagas nas chapas sejam preenchidas por candidatas. Apesar da norma, a ocupação efetiva desses espaços segue aquém do definido: nas câmaras municipais as mulheres não chegam a 20% das cadeiras, segundo levantamento citado durante o programa. Especialistas ouvidos lembraram que a incorporação feminina na vida parlamentar é recente — apenas a partir de 2012 houve ganho visível — e que sinais simbólicos de exclusão permanecem, como a falta de infraestrutura pensada para a presença feminina em instituições antes deste avanço.
Candidaturas ‘laranja’ e o desafio do financiamento
Outro ponto destacado foi a prática das chamadas candidaturas “laranja”: mulheres lançadas apenas para atender à cota, sem apoio real do partido, sem financiamento adequado e, muitas vezes, sem sequer terem intenção ou condições de disputar a eleição. A Justiça Eleitoral tem intensificado a fiscalização e aplicado punições, mas os efeitos práticos ainda são limitados. Uma mudança legislativa recente busca atacar a questão pela via financeira, obrigando os partidos a destinar proporcionalmente os recursos de campanha às candidatas, como forma de tornar as disputas mais competitivas.
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Violência contra mulheres e a necessidade de voz política
Os debatedores também conectaram a frágil representação feminina à crise de violência: dados recentes apontam recorde de feminicídios em nove anos, com cerca de quatro mortes de mulheres por dia e 1.463 casos registrados. Para as vozes do programa, haver mais mulheres nos espaços de decisão é parte da resposta para políticas públicas mais sensíveis às demandas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas.
O painel reforçou que avanços legais existem, mas que são insuficientes sem fiscalização rigorosa, financiamento adequado e mudança cultural. A presença feminina em todas as esferas da política é vista como condição para enfrentar desigualdades e garantir que direitos básicos sejam respeitados.