Uma simples queda de internet nos faz lembrar de como era o mundo antes destas conexões; ouça a análise de Danielle Zeoti
Um apagão cibernético recente provocou atrasos em voos, Por que estamos tão dependentes das redes sociais?, prejuízos bancários e gerou um alerta sobre a dependência da tecnologia na vida cotidiana. O episódio evidenciou como muitas pessoas se sentem inseguras e ansiosas diante da impossibilidade de acessar aplicativos bancários, e-mails e serviços em nuvem, além de impactar diretamente operações em aeroportos, onde telas azuis de erro foram registradas.
Dependência tecnológica e seus impactos
Especialistas afirmam que a dependência da tecnologia está presente em vários níveis na sociedade atual. Embora o avanço tecnológico tenha proporcionado conforto, segurança e agilidade na obtenção de informações, facilitando o desenvolvimento em áreas como saúde, finanças e comércio, é necessário cuidado para que essa dependência não se torne patológica. O uso excessivo e desadaptativo da tecnologia pode configurar um transtorno mental, exigindo atenção e intervenção.
Uso excessivo do celular no Brasil: Segundo estudo de uma agência britânica, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de uso de telas de smartphones, com uma média diária de nove horas e meia. Esse número é considerado elevado, especialmente ao se considerar que uma pessoa tem em torno de 12 horas acordada por dia. O tempo dedicado ao celular pode comprometer momentos de lazer, convívio familiar e social, além da absorção de cultura por meio de outras formas, como a leitura.
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Quando a dependência se torna patológica: Um dos principais indicadores de dependência tecnológica patológica é o isolamento social, quando o indivíduo prioriza o uso da tecnologia em detrimento das relações interpessoais reais. Não basta apenas sair de casa; é fundamental avaliar se o tempo em ambientes sociais é comprometido pelo uso constante de dispositivos eletrônicos. A ansiedade gerada pela impossibilidade de acesso à tecnologia, como ocorreu durante o apagão, pode variar de leve a intensa, chegando a desencadear crises de pânico em casos mais graves.
Os sintomas dessas crises incluem taquicardia, sudorese, tremores, desconforto gastrointestinal e sensação de desespero. Quando a ausência da tecnologia provoca essas reações, pode indicar uma dependência comparável àquela observada em casos de abstinência de substâncias lícitas ou ilícitas.
Casos extremos e tratamento: Casos extremos de dependência tecnológica também envolvem crianças e adolescentes, como o relato de um jovem de 12 anos que reagiu agressivamente quando impedido pela mãe de jogar videogame. Situações como essa indicam a necessidade de intervenção psicológica e psiquiátrica.
O tratamento da dependência patológica da tecnologia envolve psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, e, em alguns casos, o uso temporário de medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos para controlar impulsos e ansiedade.
Entenda melhor
Apesar das preocupações, é importante destacar que a tecnologia deve ser usada a favor das pessoas, que devem manter o controle sobre seu uso. A ideia de que a tecnologia controla os indivíduos, como sugerido em filmes de ficção científica, não corresponde à realidade. O ser humano possui livre-arbítrio e capacidade de escolha, podendo decidir quando e como utilizar os recursos tecnológicos.
Especialistas recomendam que as pessoas reflitam sobre seu comportamento em relação à tecnologia e busquem ajuda profissional caso identifiquem sintomas de dependência, como ansiedade intensa, isolamento social e dificuldade em se desligar dos dispositivos eletrônicos.