Médica intensivista, Maria Auxiliadora Martins, analisa os impactos do novo coronavírus no organismo e a sobrecarga dos médicos
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios inúmeros para profissionais de saúde, que vão além da luta pela vida dos pacientes. Médicos intensivistas relatam uma situação crítica, com obstáculos que agravam o quadro de saúde dos pacientes internados.
Sobrecarga e Novos Cenários
O cenário da pandemia se modificou. Médicos observam um aumento significativo de pacientes jovens, com menos de 50 anos, em estado grave, representando 70% a 80% dos internados. Esse aumento da gravidade e a mudança no perfil dos pacientes impactam diretamente na saúde mental e emocional da equipe médica, que se encontra no limite de suas capacidades.
Infecções Hospitalares e Complicações
Além do vírus, os pacientes enfrentam o risco de infecções hospitalares, que podem piorar significativamente seu estado. Muitos já chegam com pneumonia bacteriana associada à infecção viral. A deficiência imunológica causada pela COVID-19 aumenta ainda mais a vulnerabilidade a essas infecções secundárias. Infecções sistêmicas, como a sepse, são a principal causa de morte em UTIs, mesmo em casos de COVID-19. A sobrecarga medicamentosa também impacta negativamente, podendo causar danos renais e levar ao óbito.
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A Corrida Contra o Relógio
A rapidez no atendimento é crucial. A COVID-19 é uma doença que se agrava rapidamente, exigindo intervenções imediatas. A falta de leitos de UTI e a escassez de recursos em alguns hospitais, principalmente em regiões menores, dificultam o atendimento adequado e aumentam a mortalidade. A disponibilidade de equipamentos como máquinas de diálise também é um fator determinante na sobrevivência dos pacientes com lesão renal. É fundamental não apenas ter leitos disponíveis, mas também profissionais capacitados e recursos suficientes para garantir o tratamento adequado e salvar vidas.


