Ao mesmo tempo que existem várias vagas disponíveis, muitas pessoas seguem desempregados; Fabíola Molina explica
O mercado de trabalho brasileiro tem apresentado uma redução no índice de desemprego, Por que os recrutadores têm dificuldade em encontrar profissionais no mercado?, mas ainda há um número significativo de pessoas em busca de oportunidades. Em Ribeirão Preto, por exemplo, o cenário reflete essa realidade, com uma dinâmica que vem se modificando nos últimos tempos. Para entender melhor essas mudanças, a CBN conversou com Fabiola Molina, especialista em desenvolvimento humano e organizacional, que destacou os principais desafios e tendências do mercado de trabalho atual.
Dificuldade no preenchimento de vagas: Fabiola ressalta que a dificuldade das empresas em preencher vagas não é um fenômeno recente. Muitas vezes, há candidatos buscando emprego, mas que não conseguem ser selecionados por diversos motivos. Um dos principais fatores apontados é a incompatibilidade entre o perfil do candidato e os requisitos da vaga anunciada. Ela destaca a importância de o candidato ler atentamente o anúncio para verificar se atende às exigências antes de se candidatar.
Além disso, a forma como o candidato se apresenta também é fundamental. Fabiola relata que, em sua experiência de mais de 18 anos em recrutamento, cerca de 70% dos currículos recebidos não são acompanhados de uma saudação ou identificação clara da vaga pretendida, o que pode prejudicar a avaliação do candidato. Segundo a especialista, o processo seletivo é uma etapa importante para a empresa avaliar não apenas as competências técnicas, mas também o comportamento e a postura do candidato, que representará a marca da organização.
Importância do treinamento e desenvolvimento: Outro ponto destacado é a necessidade de as empresas investirem no treinamento dos novos colaboradores. Fabiola explica que, diante da velocidade das mudanças no mercado, tanto candidatos quanto empregadores desejam resultados imediatos, mas é fundamental que os gestores estejam preparados para receber profissionais em estágio inicial, oferecendo capacitação e tempo para desenvolvimento. Esse investimento é essencial para que o funcionário permaneça na empresa e cresça junto com ela.
Ela também ressalta a importância de considerar as diferenças geracionais no ambiente de trabalho, pois os comportamentos dos jovens podem divergir dos profissionais mais experientes. A gestão eficaz dessas diferenças exige capacitação e tempo, além de planos de carreira e benefícios que sejam atrativos para os colaboradores.
Oportunidades para jovens e diversidade de carreiras
Dados recentes indicam que, em Ribeirão Preto, entre janeiro e maio deste ano, 76% das contratações foram de pessoas com idade entre 17 e 24 anos. Fabiola explica que, em momentos de recuperação econômica, as empresas tendem a preencher vagas com profissionais iniciantes, o que representa uma grande oportunidade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho, seja por meio de contratos CLT, estágios ou programas de aprendizagem.
Ela enfatiza que os jovens devem estar atentos à apresentação do currículo, incluindo cursos realizados ou em andamento, e compreender que o início da carreira pode envolver atividades mais simples e repetitivas, com possibilidade de crescimento conforme o desempenho e desenvolvimento dentro da empresa. Esse processo contribui para a autonomia financeira e pessoal do jovem, possibilitando a realização de sonhos como cursar uma faculdade, viajar e conquistar independência.
Além disso, Fabiola destaca a diversidade de opções de carreira atualmente disponíveis, incluindo áreas tecnológicas, trabalho remoto e funções operacionais, o que amplia as possibilidades para os candidatos e exige que as empresas repensem suas estratégias de atração e retenção de talentos.
Transição de carreira e autoconhecimento: A especialista também aborda a questão da transição de carreira, que não se restringe apenas a quem está desempregado, mas também a profissionais empregados que buscam novas oportunidades ou áreas que estejam mais alinhadas com suas paixões e interesses. Ela observa que, no início da vida profissional, muitas pessoas optam por carreiras que oferecem maior estabilidade ou remuneração, mas com o tempo, podem desejar mudanças para atividades que proporcionem maior realização pessoal.
Fabiola destaca que as empresas devem estar abertas a essas transições internas, permitindo que colaboradores mudem de área ou busquem novos desafios dentro da organização. Essa flexibilidade depende de uma proximidade maior entre gestores e funcionários, além de políticas que incentivem o desenvolvimento contínuo e o aproveitamento dos talentos.
Informações adicionais
O mercado de trabalho atual exige tanto dos candidatos quanto das empresas uma postura proativa e adaptativa. Para os candidatos, é essencial o autoconhecimento, a preparação adequada para as vagas e a apresentação cuidadosa do currículo. Para as empresas, investir em treinamento, compreender as diferenças geracionais e oferecer planos de carreira atrativos são estratégias fundamentais para atrair e reter talentos em um cenário de múltiplas oportunidades e mudanças constantes.



