Luiz Puntel comenta a capacidade que a “sociedade do espetáculo” tem de agregar valor a produtos que não representam a realidade
O mundo contemporâneo é inundado por imagens. Desde a televisão ao Whatsapp, a informação nos chega, predominantemente, por meio de representações visuais. Mas o que isso significa para nossa percepção da realidade?
A Sociedade do Espetáculo
A teoria da “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo Guy Debord, ajuda a entender esse fenômeno. Debord argumenta que não vivenciamos a realidade diretamente, mas sim suas representações, simulacros que se passam por reais, mas que são construídos.
O Marketing e a Construção da Imagem
No mundo do consumo, essa construção de imagens é particularmente evidente. O marketing utiliza estratégias como a escassez (criando a ideia de que um produto é raro e desejável) e o empoderamento (associando o produto a um status social elevado) para manipular o desejo do consumidor. Bolsas de grife, por exemplo, são frequentemente apresentadas como símbolos de luxo e exclusividade, impulsionando seu valor e criando uma demanda artificial.
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A Ilusão do Luxo
Recentemente, informações vindas de sites chineses expuseram a realidade por trás da produção de algumas dessas bolsas de luxo. Muitas são feitas manualmente, mas por trabalhadores em países como China, Vietnã e Tailândia, recebendo apenas o selo da marca famosa. Essa revelação serve como um alerta: o que vemos como símbolo de status e riqueza pode ser, na verdade, uma ilusão cuidadosamente construída pelo marketing.
A busca por criticidade é fundamental para não nos deixarmos levar por essa manipulação. Devemos questionar as imagens que nos são apresentadas e buscar compreender a realidade por trás delas, evitando sermos enganados pelo mundo do consumo e suas promessas vazias.