Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
Após o mercado financeiro precificar a possível saída da então presidente Dilma Rousseff, alguns preços de ativos no Brasil apresentaram alterações significativas. O dólar recuou, enquanto o real se valorizou. Mas por que essa mudança de cenário político impactou tanto a economia?
A Antecipação do Mercado
O mercado financeiro tradicionalmente antecipa eventos futuros, incorporando as expectativas dos principais investidores – instituições, bancos e grandes investidores individuais – aos preços dos ativos. A percepção de que o governo enfrentava dificuldades de governabilidade e a ausência de um plano econômico claro para o médio e longo prazo intensificaram essa movimentação.
O Fim de um Ciclo e a Busca por um Novo Norte
A economia brasileira vinha sofrendo com o aumento do desemprego, a queda no faturamento das empresas e a redução da arrecadação governamental. A possibilidade de um novo governo reacendeu a esperança de um rumo mais claro na política econômica, impulsionando a recuperação da economia. Reflexo disso foi a alta de 14,53% da Bolsa de Valores em março e a queda de 9,29% do dólar.
Leia também
Inflação em Declínio e Perspectivas Futuras
A inflação medida pelo IPCA em fevereiro ficou abaixo das expectativas, reforçando o otimismo do mercado. A queda da atividade econômica, a safra agrícola favorável e a valorização do real contribuíram para esse cenário. A expectativa é que a inflação continue a ceder, podendo chegar a 6,5% no ano, impulsionada também pela possível redução nas tarifas de energia elétrica e nos preços dos combustíveis.
Embora o cenário ainda apresente desafios, a perspectiva de uma inflação mais controlada e a possibilidade de um novo ciclo econômico trazem alívio e renovam as expectativas para o futuro.