Postos de combustíveis na região tem sócios investigados em esquema de lavagem de dinheiro
Cinco postos de combustíveis localizados na região de Ribeirão Preto estão sob investigação do Gaeco, o grupo do Ministério Público especializado no combate ao crime organizado. A suspeita é de que esses estabelecimentos, ou empresas com nomes semelhantes, estejam envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Operação Carbono Oculto e os Postos Suspeitos
Os postos em questão foram identificados a partir de um levantamento realizado pelo G1 Ribeirão Preto, cruzando dados de empresas investigadas na Operação Carbono Oculto com a lista de postos de combustíveis ativos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Operação Carbono Oculto, deflagrada em atrássto, é considerada a maior já realizada contra o PCC.
O levantamento apontou a existência de sócios em comum entre as empresas investigadas e pelo menos 251 postos de combustíveis. Especificamente na região, três postos em Ribeirão Preto e dois em Franca estão sob suspeita. Em Ribeirão Preto, são eles: Posto Sol (Vibra), Alto Posto Marechal Costa e Silva (Rodóio) e Alto Posto Estrela de Madrid (Rodóio). Em Franca, os postos investigados são o Alto Posto Barão da Cidade (Rodóio) e o Posto Melvin Jones (bandeira branca).
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As Investigações e as Defesas
Os proprietários dos postos são investigados pelo suposto uso dos estabelecimentos para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas. O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal não especificaram quais postos foram utilizados para essa finalidade.
A distribuidora Rodóio informou que já monitorava os postos credenciados desde março de 2025 e havia identificado inconsistências, iniciando o processo de distrato, inclusive judicialmente. A Vibra (Petrobras) afirmou que mantém rigorosos padrões de compliance e integridade, com auditorias contínuas, e que revendedores com irregularidades são removidos da rede. A empresa informou que desvinculou mais de 100 postos em São Paulo nos últimos dois anos por irregularidades.
Proprietários e Ligações Suspeitas
Os postos Maréchal Costa e Silva, Estrela de Madrid, Barão da Cidade e Melvin Jones pertencem a Pedro Furtado Goveia Neto, sócio da GGX Global, empresa apontada pela Justiça como ligada ao grupo de Mohamed Hussein Mouhar, principal suspeito de comandar a lavagem de dinheiro do PCC, atualmente foragido. A defesa de Neto não se manifestou.
O Posto Sol pertence a Valdemar de Bortoli Jr., descrito como proprietário de uma rede usada para blindar o grupo de Mohamed, com envolvimento em operações financeiras suspeitas. A defesa de Bortoli Jr. afirma que o posto segue as normas de compliance da Vibra e não possui envolvimento com irregularidades. Valdemar de Bortoli Jr. minimizou o fato de a rede Sol ter firmado contrato com distribuidoras de combustíveis controladas por Mohamed e alegou um equívoco do Ministério Público em relação a notas comerciais da empresa.
As investigações do Ministério Público prosseguem para desmembrar o esquema de postos de combustíveis e sua ligação com o crime organizado. A CBN Ribeirão continua acompanhando o caso e a situação dos postos na região.



