Ouça a coluna ‘CBN Sabor’, com Fernando Kassab
No universo da gastronomia brasileira, observa-se uma tendência crescente de transformar pratos tradicionais e complexos em versões miniaturizadas, frequentemente servidas como petiscos. Embora essa abordagem possa agradar a alguns, ela levanta questões sobre a preservação da essência e da riqueza da culinária nacional.
A Redução dos Pratos Tradicionais
Pratos que carregam consigo séculos de história e técnicas elaboradas, como a feijoada, moqueca e receitas regionais do Norte e Nordeste, estão sendo convertidos em bolinhos, miniaturas dentro de massas ou servidos em palitos. Essa transformação, embora possa parecer inovadora, muitas vezes simplifica demais a complexidade de sabores e ingredientes que caracterizam esses pratos.
O Conceito ‘Delico Doce’ e a Perda da Essência
A busca pelo ‘bonitinho’ e ‘menorzinho’ pode ser válida quando se trata de petiscos originais, como o bolinho de bacalhau, que já nasce como tal. No entanto, quando um prato tradicional é adaptado apenas para se encaixar nesse conceito, corre-se o risco de perder a autenticidade e a profundidade de sabor que o tornam especial. Muitas vezes, a adaptação envolve o uso excessivo de temperos, molhos industrializados e outros ingredientes que mascaram a verdadeira essência do prato original.
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Críticas e a Necessidade de Critério
Embora a revisitação de clássicos brasileiros possa ser uma forma de atrair novos clientes, é fundamental que essa prática seja realizada com critério e respeito à tradição. Transformar uma feijoada, com sua rica variedade de ingredientes e história, em uma simples empada pode ser considerado uma ‘pequena tragédia’ para os amantes da culinária brasileira. É essencial que o sabor e a complexidade do prato original sejam preservados, para que o consumidor não se decepcione com uma versão simplificada e descaracterizada.
Em vez de meramente adaptar pratos por conveniência, um esforço maior em manter a integridade dos sabores e técnicas originais seria mais valioso.



