Kit de alimentos ficou 3,34% mais em conta no mês de março em relação a fevereiro; pesquisadora, Lívia Piola, fala do estudo
Depois de quatro altas seguidas, a cesta básica em Ribeirão Preto registrou em março o primeiro recuo. Segundo pesquisa mensal de preços da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, o kit básico de alimentos passou a custar em média R$ 679, queda de 3,34% em relação a fevereiro.
Queda média e explicação técnica
Para comentar os números, a reportagem conversou com a analista do Instituto de Economia Maurílio Biagi da Associação Comercial, Lívia Piola. Ela atribui a queda ao efeito defasado de um aumento de oferta ocorrido no ano passado. “Tivemos um grande acréscimo na oferta — safra recorde de soja, aumento na produção bovina e medidas governamentais para ampliar a oferta de carne no mercado interno — e, devido à rigidez de preços, os impactos estão sendo sentidos atrásra”, explicou.
Variação por região e itens que caíram
A pesquisa mostra variação expressiva entre regiões da cidade: há diferença de aproximadamente R$ 180 entre a zona mais barata e a mais cara. Na região Norte o kit saiu por cerca de R$ 567, enquanto na zona Leste chegou a R$ 740. Das regiões pesquisadas, apenas a zona Sul registrou alta (1%); as demais apresentaram queda, com destaque para a região Central, que teve recuo próximo a 1%.
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Entre os produtos que contribuíram para a deflação mensal estão a margarina (queda de 14%), a batata inglesa (–11,6%) e a carne alcatra (–6%). Segundo Lívia Piola, essas variações estão ligadas à dinâmica de oferta e demanda e às mudanças estruturais ocorridas no mercado agropecuário no último ano.
Perspectiva anual e próximos levantamentos
A medição do custo do kit básico em Ribeirão Preto é realizada desde maio de 2023. De acordo com a analista, a inflação acumulada no ano foi de 5% e, no trimestre, de 1,96%. A equipe da associação informou que pretende publicar na próxima edição um levantamento especial com a comparação ano a ano para traçar o panorama da evolução de preços entre 2023 e 2024.
O recuo de março, embora pontual, abre espaço para acompanhamento mais atento das oscilações regionais e setoriais, já que fatores sazonais e de oferta continuam a influenciar tanto o preço dos alimentos quanto o bolso dos consumidores.



