Valor do produto teve reajuste de 29% segundo o IBGE; questões climáticas e o prejuízo com doenças explicam alta nos preços
O preço da laranja no Estado de São Paulo alcançou em fevereiro o maior patamar dos últimos 30 anos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. A informação foi divulgada no Giro do Agro, do Jornal da CBN, com reportagens de Samuel Santos.
Preços em alta e causas
Somente em fevereiro o reajuste acumulado foi de 29% no índice IPCA, medido pelo IBGE. Pesquisadores apontam que temperaturas elevadas e pragas agrícolas contribuíram para a escalada. Segundo a pesquisadora Fernanda Geraldini, os preços chegaram próximos a R$ 90 por caixa de 40,8 quilos, valor considerado ‘na árvore’ — ou seja, sem incluir colheita e frete — e o maior da série histórica iniciada em 1994.
Produtores relatam perdas significativas. O produtor João Salini afirmou que doenças como o greening têm reduzido a produção, com prejuízos na ordem de 50% em áreas afetadas, o que pressiona ainda mais a oferta.
Estoques enxutos e reação da indústria
Os estoques de suco de laranja caíram ao segundo menor nível já registrado, conforme a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos. O Brasil responde por cerca de 75% do abastecimento mundial do produto, e a escassez de matéria-prima tem forçado ajustes nos preços internacionais e domésticos.
Em São Paulo, onde cerca de 80% da produção segue para a indústria, a dependência do setor industrial agrava o movimento de alta. ‘Com estoques baixos, as fábricas pagam mais pela fruta, e isso acaba refletindo no mercado de fruta in natura’, explica Geraldini.
Repercussão para o consumidor e para o produtor
No varejo, a alta já é percebida. Mercados de Ribeirão Preto registraram aumento do preço por quilo, que passou de média de R$ 5 para quase R$ 7 nas últimas semanas, com possibilidade de novos reajustes. Em uma feira local, o consumidor Mauro diminuiu a quantidade comprada ao ver os preços: ‘Estou levando só cinco laranjas, dá pra hoje e amanhã’, comentou.
Os produtores, por sua vez, enfrentam o paradoxo de preços elevados com produção menor. Questões climáticas e a presença de pragas reduzem volume colhido e, em muitos casos, limitam os ganhos reais obtidos na safra atual.
O quadro atual combina oferta reduzida, estoques apertados e demanda estável, o que deve manter a pressão sobre preços e gerar incertezas tanto para consumidores quanto para a cadeia produtiva nos próximos meses.