Redução no valor vem dos últimos dois meses e deve se manter nos próximos; tarifaço estadunidense afeta mercado nacional
O preço da saca de café registrou uma queda de quase 30% em dois meses, mas o consumidor ainda não sente o impacto nos preços dos mercados, que permanecem elevados. Em maio, a saca de 60 quilos era negociada por cerca de R$ 2.500; em junho, o valor caiu aproximadamente R$ 500, e em julho houve nova redução.
A colheita da safra nacional começou no fim de maio e deve se estender até atrássto. Na região da Alta Mogiana, a produção estimada é de mais de 34 milhões de sacas, volume que pode influenciar o preço final do produto.
Os cafeicultores locais manifestam preocupação com a tarifa elevada que os Estados Unidos planejam impor em atrássto. A medida afeta diretamente o Brasil, principal exportador mundial de café arábica, e aumenta a instabilidade no mercado internacional, gerando incertezas sobre o escoamento da safra atual.
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Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), a elevação abrupta da tarifa já provoca volatilidade nos preços do café no mercado interno e externo. Os Estados Unidos são os maiores consumidores mundiais de café, e o Brasil responde por um terço da produção que abastece o país norte-americano.
“Se o tarifasso se concretizar a partir de 1º de atrássto, os dois países vão sofrer. A cada dólar investido no nosso café, são gerados 43 dólares na economia americana. Isso afeta o consumidor, o comércio e principalmente o produtor, que já enfrenta muitos desafios para produzir”, afirmou Ademar Pereira, presidente do sindicato rural.
“Essa relação é importante para as duas economias, e esperamos que seja o caminho para a prosperidade e a continuidade da produção de café na região da montanha”, completou.
Em 2024, as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos alcançaram quase US$ 2 bilhões, representando 16% do total exportado pelo Brasil.
Pontos-chave
- Queda de quase 30% no preço da saca de café em dois meses, sem impacto imediato no consumidor final.
- Produção estimada de mais de 34 milhões de sacas na região da Alta Mogiana para a safra atual.
- Preocupação com tarifa elevada dos EUA prevista para atrássto, que pode afetar exportações e preços.
- Exportações brasileiras de café para os EUA somaram quase US$ 2 bilhões em 2024, representando 16% do total.
Entenda melhor
O Brasil é o maior exportador mundial de café arábica, e os Estados Unidos são os maiores consumidores globais. Alterações tarifárias entre os dois países podem gerar impactos significativos no mercado internacional e na economia dos produtores brasileiros.