Economista Adnan Jebailey explica que Petrobras aguarda estabilização no preço para repassar aos consumidores
Depois de sucessivos aumentos, o preço do barril de petróleo apresentou queda global na semana passada. Na terça-feira, o barril chegou a US$ 127, um dos maiores valores já registrados, para depois iniciar uma trajetória descendente. No fim de semana, não houve cotação; na segunda-feira, o preço estava em US$ 107, e na terça-feira, abaixo de US$ 100, representando uma queda substancial de 8%. Com a gasolina atingindo R$ 7 em Ribeirão Preto após reajuste da Petrobras devido à diminuição da oferta e à guerra na Ucrânia, muitos se perguntam se essa queda no preço do barril impactará o valor dos combustíveis.
Queda do preço do petróleo: os motivos
A economista Dina G. Bayley explica que a queda gradual do preço do petróleo nos últimos dias é resultado da expectativa de um cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia, intensificada nos últimos dois dias devido ao aumento de casos de Covid-19 na China. A política de “covid zero” chinesa levou a medidas de lockdown, reduzindo a importação de petróleo pelo país. Esses dois fatores – a possibilidade de cessar-fogo e a redução da demanda chinesa – contribuíram para a queda significativa.
Impacto no preço dos combustíveis no Brasil
A Petrobras, geralmente alinhada ao mercado internacional, costuma esperar a estabilização dos preços antes de fazer reajustes. Após a escalada de conflitos na Ucrânia, a empresa esperou cerca de 10 a 15 dias para aumentar os preços. Agora, a redução dependerá da estabilização do preço do barril e da decisão da Petrobras. Embora o presidente faça apelos por redução, a empresa mantém sua política de mercado, influenciada pela sua grande participação (98%) na produção brasileira de combustíveis. A alta concentração de mercado dificulta a concorrência e a redução de preços para o consumidor final.
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Cenários futuros e a influência do dólar
Cenários futuros incluem: a China superando o lockdown, aumentando a demanda e possivelmente elevando o preço do barril novamente; e o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, que poderia normalizar as exportações e impactar os preços. Independentemente do cenário, o impacto no consumidor brasileiro será demorado. A valorização do real, em parte devido à busca por investimentos em países em desenvolvimento, ajuda a diminuir o impacto do dólar no preço dos combustíveis, mas não o suficiente para compensar aumentos significativos. O etanol, como combustível complementar, também sofre influência, com aumentos de preço devido ao aumento da demanda quando o preço da gasolina sobe. Em resumo, a queda no preço do barril de petróleo não garante uma redução imediata no preço dos combustíveis para o consumidor brasileiro, dependendo da política da Petrobras e de outros fatores externos.



