Antes da pandemia, postos vendiam o litro do combustível por R$ 3,00; crise derrubou valor do petróleo no mercado internacional
O preço do etanol, que despencou no início da pandemia, voltou a subir, causando insatisfação entre os consumidores que se acostumaram aos preços mais baixos.
Alta do açúcar e dólar
As usinas aproveitaram a alta do dólar e a pandemia para produzir mais açúcar, reduzindo a oferta de etanol e encarecendo o litro do biocombustível. Antes da pandemia, alguns postos vendiam o litro a quase R$ 3,00. Em maio, a média em São Paulo era de R$ 2,34, com alguns postos chegando a vender por R$ 1,90 ou R$ 2,00. A queda no preço do petróleo no mercado internacional e a redução do consumo de etanol no país contribuíram para a situação.
Aumento na produção e na qualidade da cana
Apesar da pandemia, a colheita de cana não parou, favorecida pelo tempo seco. Uma usina em Pitangueiras, por exemplo, colheu mais de 2 milhões de toneladas de cana, mais da metade da safra. Com a maior oferta, as usinas direcionaram a produção para o etanol. A qualidade da cana também melhorou, com maior índice de açúcar por tonelada, reduzindo custos e aumentando o lucro das usinas. O preço do açúcar no mercado internacional, embora tenha caído 30% com a pandemia, foi compensado pela desvalorização do real, tornando a produção de açúcar mais lucrativa que a de etanol.
Reajuste de preços e perspectivas futuras
Com a retomada da demanda e a preocupação das distribuidoras em manter o estoque, os preços do etanol começaram a subir. Em Ribeirão Preto, o preço subiu quase 10% em julho, com média de R$ 2,73. O setor acredita em um crescimento do consumo de etanol em 2021, o que deve levar a uma estabilização dos preços. A pesquisa de preços se torna fundamental para o consumidor, diante da variação no mercado.



