Sobre o comportamento do mercado confira a análise do Diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Pádua Rodrigues
O preço do etanol, que costuma subir na entressafra, surpreendeu com uma queda em 2022. Para entender esse fenômeno, conversamos com Antônio Dipado Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
Quebra de Safra e Alta Demanda
Em setembro de 2021, uma grande quebra de safra na região Centro-Sul, com perdas superiores a 80 milhões de toneladas, reduziu a oferta de açúcar e etanol. Simultaneamente, a demanda por combustível estava alta. Essa combinação levou a um aumento do preço do etanol ao produtor, tornando-o menos competitivo em relação à gasolina. Consequentemente, os consumidores migraram para a gasolina.
Inversão de Cenário e Superávit
Com a chegada de dezembro, fatores como a variante Ômicron, a crise econômica e a redução da mobilidade causaram uma queda no consumo de combustível, especialmente de etanol. Isso resultou em um superávit de oferta, levando as usinas a reduzirem preços para liquidar seus estoques. Em Ribeirão Preto, por exemplo, o preço do etanol chegou a R$ 3,99 em alguns postos, bem abaixo da média de R$ 5,21 observada em novembro de 2021 em São Paulo.
Leia também
Previsões para o Futuro
A expectativa é que o preço do etanol se mantenha baixo ou apresente novas reduções. A venda direta de usinas para postos, embora viabilizada por medida provisória, deve ter impacto limitado. Para a próxima safra, as previsões são positivas, com melhores condições climáticas e aumento da produtividade, o que deve resultar em maior oferta de etanol e preços mais competitivos. No entanto, fatores como o preço da gasolina e a demanda ainda influenciarão o mercado.



