Vice-presidente da Brascombustíveis, Renê Abad falou com a CBN Ribeirão
Uma disputa de preços entre distribuidoras em Ribeirão Preto vem provocando queda acentuada no valor do etanol, trazendo alívio temporário aos consumidores e apreensão a donos de postos. Segundo René Abaddi, vice‑presidente da Associação Brasileira de Donos de Postos (Braço Combustível), o preço do álcool combustível nas bombas deve se aproximar de R$ 1,39 por litro ainda hoje ou amanhã, patamar próximo ao custo dos revendedores.
Guerra de preços e estratégia das distribuidoras
Abaddi atribui a queda a uma estratégia comercial adotada por distribuidoras para recuperar participação de mercado. A manobra consiste em reduzir margens para atrair clientes, mas, segundo ele, é pouco sustentável: quando todas as distribuidoras praticam descontos, os ganhos esperados individualmente se anulam. Para o consumidor, a disputa representa uma oportunidade de abastecer mais barato; para o mercado, aumenta a volatilidade de preços.
Impacto nos postos e duração da ação
Os postos que aderirem à redução terão margem de lucro muito reduzida, estimada entre 10 e 12 centavos por litro — valor que pode não cobrir custos operacionais e taxas de cartão de crédito. Nem todos os estabelecimentos conseguirão seguir a tendência, já que os preços atuais estão cerca de 40 centavos abaixo do praticado há 15 dias. A expectativa do setor é de que a pressão por preços baixos seja de curta duração, porque revendedores locais não suportam margens negativas por muito tempo.
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Redução na gasolina, efeito dominó e qualidade do combustível
Além do etanol, a gasolina também pode ter redução, de até 10 centavos por litro, chegando a cerca de R$ 2,40 dependendo da política de cada distribuidora. A competição força os postos a acompanhar os preços dos concorrentes para não perder vendas, ampliando o efeito dominó no mercado local. Sobre a qualidade, Abaddi afirmou que os combustíveis vendidos em Ribeirão Preto apresentam índice de desconformidade inferior a 1%, bem abaixo do limite internacional tolerável de 3,5%, e que não há registro de reclamações significativas.
Especialistas ressaltam que essa queda não decorre de safra, produção ou alterações tributárias, mas de uma ação comercial temporária das distribuidoras. Depois do período de preços baixos, espera‑se reajuste, enquanto empresas buscam compensar perdas em outras regiões.



