Especialista aponta que o aumento influencia no custo de produção das empresas e que isso pode ser repassado ao consumidor
O mês de maio reserva mais um aumento de preços para o consumidor brasileiro: desta vez, um aumento de quase 40% no gás natural para distribuidoras. Esse impacto, embora não seja diretamente sentido no bolso do consumidor como o aumento do gás de cozinha, terá reflexos indiretos e significativos na economia.
Impacto na Indústria e no Consumidor
De acordo com o especialista em agronegócio José Luiz Coelho, o encarecimento do gás natural afetará diretamente a indústria, elevando o custo de produção de diversos setores. Indústrias de fertilizantes, siderurgia, vidro, papel e celulose, química, cerâmica e até mesmo cimento e fundições de alumínio são altamente dependentes do gás natural. Consequentemente, o aumento nos custos de produção será repassado aos preços finais dos produtos, impactando indiretamente o consumidor.
Reajuste e Transparência
Embora o gás natural tenha sofrido uma redução de preços em 2020, o reajuste de 39% para maio reflete a variação do preço internacional do petróleo no primeiro trimestre de 2021. O presidente Jair Bolsonaro declarou que não interferirá no reajuste, mas busca maior transparência no processo. Diferentemente de outros combustíveis, o gás natural é corrigido a cada três meses, o que, segundo especialistas, embora evite impactos mensais, causa grandes oscilações a cada atualização.
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Apesar da absorção parcial do reajuste em negociações, a magnitude do aumento preocupa, especialmente em regiões com economias dependentes da indústria e da construção civil. A expectativa de inflação acima de 4% e a alta menor do PIB geram incertezas e dificuldades para o equilíbrio das finanças brasileiras. A periodicidade dos reajustes, embora prevista, gera impactos significativos ao consumidor a cada atualização, impactando principalmente produtos de alta demanda como materiais de construção.



