Para tentar explicar os sucessivos reajustes dos combustíveis confira a coluna ‘CBN Agronegócio’ com José Carlos de Lima Júnior
O preço dos combustíveis no Brasil tem sido um assunto recorrente, gerando preocupações para motoristas e especialistas. Apesar do país ocupar a 16ª posição mundial em reservas de petróleo e a 9ª em produção, os valores praticados nas bombas de gasolina e diesel permanecem altos, contrastando com preços mais baixos em países vizinhos.
Por que o Brasil paga caro por combustíveis?
A resposta para essa questão reside na diferença entre petróleo e combustíveis refinados. O petróleo bruto, extraído do subsolo, precisa passar por um processo de refino para se transformar em gasolina e diesel. A Petrobras, nos últimos anos, tem priorizado a exportação de petróleo cru, em detrimento do refino, resultando em desinvestimento na capacidade de produção de combustíveis no país. Essa política, combinada com o aumento da frota de veículos sem o correspondente aumento na produção de derivados, leva à necessidade de importação, impactando diretamente nos preços.
A questão da oferta e demanda e o câmbio
A combinação da menor produção nacional de derivados com o aumento da demanda, devido ao crescimento da frota de veículos, cria uma situação de escassez. Essa escassez, somada à desvalorização do real frente ao dólar, aumenta o custo de importação dos combustíveis, elevando os preços para o consumidor final. Os Estados Unidos, por exemplo, são hoje os maiores fornecedores de derivados para o Brasil, e a flutuação cambial impacta diretamente no preço final.
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Competição entre postos de combustíveis e margens de lucro
A existência de postos de combustíveis que praticam preços mais baixos, mesmo em regiões com alta competitividade, levanta a questão das margens de lucro. Embora alguns postos possam operar com margens de lucro reduzidas ou mesmo sem lucro em determinados produtos, buscando compensar com a venda de outros serviços, é importante analisar individualmente a situação de cada posto para entender a viabilidade dessa prática. A competição entre postos, embora positiva para o consumidor, precisa ser analisada considerando os custos e a sustentabilidade do negócio.
Em resumo, o alto custo dos combustíveis no Brasil é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a priorização da exportação de petróleo cru pela Petrobras, a falta de investimentos em refino, o aumento da demanda, a desvalorização cambial e as diferentes estratégias de precificação dos postos de combustíveis. A compreensão desses fatores é crucial para a busca de soluções que beneficiem o consumidor brasileiro.