Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (24)
Neste sábado, dia 24 de fevereiro de 2018, o programa Almanac e CBN discutiu os altos preços dos combustíveis em Ribeirão Preto, questionando por que a cidade apresenta alguns dos valores mais elevados do estado de São Paulo.
A liberdade econômica e a formação de preços
José Carlos de Lima Jr. argumenta que a liberdade econômica dos agentes de mercado influencia significativamente a formação de preços. Ele utiliza o exemplo da construção civil em 2010, onde a entrada de uma construtora de São Paulo com preços mais altos (R$ 4.000/m²) impactou o mercado local, elevando os preços de R$ 1.600/m² para o patamar da construtora externa em poucos meses. Esse evento pontual distorceu o histórico de preços da região, demonstrando a importância de dados históricos para uma análise precisa.
O etanol: safra, oferta e demanda
A análise se estende ao etanol, um produto agrícola com safra concentrada entre abril e dezembro. Historicamente, os preços sobem antes da safra e caem com o início da colheita. Entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2018, o preço do etanol hidratado vendido pelas usinas às distribuidoras aumentou 11 centavos (de R$ 1,74 para R$ 1,85), um crescimento de 6%, ou 3% considerando a inflação. Entretanto, esse aumento de 6% na usina se traduziu em um aumento de 15% no preço final ao consumidor em Ribeirão Preto, o que sugere a existência de outros fatores influenciando o preço final.
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Investigação do Procon e perspectivas futuras
O Procon investiga a disparidade entre o aumento do preço do etanol na usina e o aumento final ao consumidor. A investigação busca apurar se há práticas de oportunismo ou formação de cartel. A análise considera diversos fatores, incluindo tributação, custos de frete e margem de lucro de cada estabelecimento. Apesar da liberdade econômica, a constatação de preços praticamente idênticos em toda a cidade requer investigação. A análise também leva em conta a queda no consumo de combustíveis na região (6%), maior que a média nacional (3,3%), e a influência da política de preços da Petrobras e a oscilação do preço do petróleo. A complexidade da formação de preços, incluindo a influência de fatores macroeconômicos como a taxa de juros e o acesso ao crédito, é destacada, mostrando a necessidade de uma análise holística para entender a situação.
Em suma, a discussão sobre os preços dos combustíveis em Ribeirão Preto revela a complexa interação entre fatores econômicos, políticos e de mercado, exigindo uma investigação aprofundada para garantir a defesa do consumidor e a livre concorrência.



