Oferta de crédito para o setor da construção civil ainda é pequeno por conta do período de recessão econômica
A crise financeira dos últimos anos deixou marcas profundas no setor imobiliário brasileiro. Um estudo recente do Ceper (Centro de Pesquisa em Economia e Política da USP) aponta uma queda nos preços de venda de imóveis em diversas cidades brasileiras.
Queda nos Preços e Excesso de Estoque
De dezembro de 2017 a fevereiro de 2018, o índice geral de preços de venda de imóveis apresentou queda nominal de 0,09% e queda real de 0,69%. Para o professor Luciano (nome não especificado no texto original), a recuperação do setor ainda é lenta. A análise, baseada em preços anunciados e não em negociações efetivadas, sugere que a queda real pode ser ainda maior. O excesso de estoque em várias regiões do país é reflexo da crise, mais intensa do que o previsto por analistas, que resultou em aumento do desemprego e dos juros, impactando negativamente a demanda por imóveis. Nove dos 20 municípios analisados registraram queda de preços nos últimos 12 meses até fevereiro, com os piores desempenhos em Rio de Janeiro, Brasília e Niterói.
Cenário de Recuperação e Cautela do Mercado
Apesar da situação atual, há expectativa de recuperação. Para Antônio Carlos Maçoneto, vice-presidente da Fapesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), a variação de preços depende da oferta e da demanda. Em Ribeirão Preto, onde o estoque está alto, esse cenário já era esperado. A tendência é que imóveis usados sejam negociados abaixo do preço pedido, principalmente por aqueles que precisam vender para quitar dívidas. O programa Minha Casa, Minha Vida, embora tenha crescido 23,2% em relação a 2016, representando 78,5% das unidades lançadas, não foi suficiente para compensar a queda geral. O mercado de crédito para construção civil também sofre com a crise, registrando queda de 11,03% nas operações de crédito e 5% nos financiamentos entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017. A cautela dos investidores, em função da incerteza econômica, contribui para a lentidão da recuperação.
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Tendências em Ribeirão Preto e Perspectivas Futuras
Em Ribeirão Preto, a queda nas operações de crédito foi menor (9,5%), enquanto os financiamentos imobiliários aumentaram 1,71%. A cidade concentrou 74,33% das operações de crédito e 71,5% dos financiamentos imobiliários da região. Embora a recuperação seja gradual, a tendência é de um retorno aos trilhos, com a retomada gradual do setor imobiliário. A persistência da incerteza econômica, no entanto, continua a influenciar o comportamento dos consumidores e investidores.



