Segundo a Defesa Civil, instalação de um ar-condicionado pode ter afetado a estrutura do prédio; 80 pessoas deixaram o local
Cerca de 80 moradores — equivalente a 32 famílias — foram retirados temporariamente dos apartamentos em um dos blocos de um condomínio de Certãozinho após a Defesa Civil constatar risco de desabamento. O bloco interditado faz parte de um conjunto com 547 unidades; a medida atingiu apenas uma das torres, mas mobilizou equipes técnicas e deixou famílias em situação de incerteza.
Interdição e número de afetados
A interdição ocorreu depois de uma denúncia de obra sem acompanhamento técnico. Ao avaliar o local, a Defesa Civil acionou um engenheiro responsável pela vistoria, que encontrou rasgos extensos nas paredes do apartamento onde uma moradora havia feito instalações recentes, entre elas a de um ar-condicionado. Por precaução, foi determinada a retirada dos moradores do bloco até que medidas de reforço sejam apresentadas e executadas.
Causa e avaliação técnica
Segundo o engenheiro Gustavo Guarino, o prédio é construído em alvenaria estrutural, sistema em que as paredes suportam as cargas e exigem acompanhamento rigoroso em obras internas. “Visualizamos um cenário inapropriado para esse tipo de construção: haviam diversos rasgos em todos os cômodos do apartamento”, afirmou. Ainda de acordo com ele, a redução de áreas de parede que sustentam as cargas aumentou o risco de colapso, e esse tipo de sistema nem sempre dá sinais prévios claros antes de uma falha.
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Guarino explicou que a Defesa Civil só liberará o retorno dos moradores após a apresentação e execução de um projeto de reforço estrutural. A previsão inicial é de que os trabalhos levem quatro ou cinco dias, mas o prazo pode se estender dependendo da complexidade das intervenções.
Desdobramentos e assistência às famílias
O síndico informou não ter sido comunicado sobre a obra e disse que a moradora desconhecia a necessidade de autorização prévia e acompanhamento por profissional habilitado. Enquanto as medidas são adotadas, a administração do prédio ofereceu o salão de festas para abrigar as famílias afetadas, mas moradores relataram desespero e preocupação — há crianças pequenas e uma gestante próxima ao parto entre os deslocados — e apontaram a falta de alternativa adequada caso a saída se estenda.
Especialistas lembram que síndicos e condomínios precisam orientar proprietários sobre restrições em edificações de alvenaria estrutural, afixando avisos e exigindo laudos ou projetos assinados por engenheiro sempre que houver intervenções que impliquem corte ou remoção de paredes.
As autoridades locais e a administração do condomínio acompanham a execução das obras de reforço e prometem atualizações sobre o prazo para que os moradores retornem aos apartamentos afetados.



