Cerca de 90% dos casos da cidade são da cepa mais transmissiva; Vitor Engracia, do Instituto Adolfo Lutz, analisa os riscos
Ribeirão Preto, interior de São Paulo, apresenta cenário preocupante: quase 90% dos casos de coronavírus são da variante P1, inicialmente identificada em Manaus. A cidade se aproxima do status de epicentro dessa variante no estado, com índice semelhante ao pico registrado em Manaus (91%).
Variante P1: Riscos e Propagação
Em entrevista ao Giro CBN, o pesquisador Dr. Vítor Ingrácia, do Instituto Adolfo Lutz, alerta para a alta periculosidade da variante P1. Estudos publicados na revista Science indicam maior facilidade de disseminação e maior capacidade de infecção, aumentando internações e óbitos. A transmissão descontrolada eleva o risco de novas mutações ainda mais perigosas, com potencial para transformar Ribeirão Preto em epicentro estadual ou até nacional.
Flexibilização e Riscos
Dr. Ingrácia expressa preocupação com a flexibilização de horários do comércio, especialmente com a proximidade do Dia das Mães. Ele destaca que a estabilização de casos e internações em algumas regiões de São Paulo ainda se mantém em níveis altos. O aumento da circulação de pessoas pode reverter a estabilidade e impulsionar novos casos e internações.
Variantes e Mutações
O especialista explica que variantes são mutações do vírus que se tornam predominantes em uma região. Uma pessoa pode ser infectada por mais de uma variante simultaneamente. A coexistência de variantes aumenta a probabilidade de mutações mais perigosas. Além da P1, outras variantes como a P2 (Rio de Janeiro) e a N9 preocupam os pesquisadores. A identificação da origem das variantes é crucial para ações efetivas do poder público. O sequenciamento genômico é fundamental nesse processo, mas enfrenta desafios no Brasil devido à falta de investimento e pessoal qualificado. A comparação com os EUA, que mesmo com alto investimento sequencia apenas 2% dos casos, ilustra a complexidade e a necessidade de mais recursos.
A falta de investimento em pesquisa no Brasil, especialmente desde 2014, leva à fuga de cérebros para o exterior em busca de melhores condições de trabalho e financiamento. Essa situação compromete a capacidade nacional de monitorar e combater novas variantes, reforçando a urgência de políticas públicas que priorizem a ciência e a pesquisa.



