A Prefeitura de Ribeirão Preto anunciou a criação de um gabinete de crise para reorganizar o atendimento de saúde após a suspensão do encaminhamento de pacientes do SUS ao Hospital Beneficência Portuguesa. As medidas foram detalhadas pelo prefeito Ricardo Silva durante coletiva de imprensa no Centro Administrativo.
Segundo o prefeito, a decisão judicial que impede temporariamente o envio de pacientes ao hospital exigiu uma resposta rápida do município para evitar sobrecarga na rede pública. Atualmente, cerca de 30 pacientes por dia deixaram de ser encaminhados à unidade, o que poderia gerar um efeito acumulativo no sistema de saúde.
A prefeitura informou que mantém todos os repasses financeiros em dia com o hospital e que colocou a estrutura municipal à disposição para auxiliar a Beneficência Portuguesa a cumprir as determinações judiciais, cujo prazo de adequação é de 90 dias.
Rede hospitalar
Como parte das medidas emergenciais, o município passou a redirecionar os atendimentos para três hospitais da cidade: Santa Casa, Hospital das Clínicas e Hospital Santa Lídia, este último de gestão municipal e que atende 100% pelo SUS.
De acordo com o prefeito, houve ampliação de leitos e pedidos formais para que as unidades absorvam o novo fluxo de pacientes. A prefeitura destacou que a atuação rápida busca evitar atrasos no atendimento, já que a demanda tende a crescer diariamente.
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O secretário municipal de Saúde, Maurício Godinho, afirmou que o impacto imediato ainda não foi observado e que as UPAs mantiveram funcionamento dentro da normalidade, graças a uma força-tarefa e à chamada regulação qualificada, que direciona o paciente ao hospital adequado conforme a complexidade do caso.
Nova unidade
Entre as principais ações anunciadas está a criação da URA (Unidade de Retorno Assistencial), uma estrutura intermediária destinada a pacientes que não têm indicação clara de internação, mas também não podem receber alta imediata.
A URA funcionará no Núcleo de Gestão Assistencial, na rua Minas, e contará com médicos 24 horas, equipe de enfermagem, exames e medicação. O modelo permite que o paciente retorne em períodos programados de 12, 24 ou 48 horas para reavaliação.
Segundo a prefeitura, a expectativa é que a unidade comece a operar nos próximos dias. A medida, inicialmente emergencial, deve ser mantida de forma permanente após a estabilização da crise.
Regulação qualificada
O secretário de Saúde explicou que a estratégia adotada busca corrigir falhas históricas do sistema, garantindo que cada paciente seja encaminhado ao hospital adequado à sua gravidade.
Casos menos complexos, que antes ocupavam leitos de alta complexidade, devem ser direcionados a outras unidades, reduzindo a sobrecarga de hospitais como o HC. A atuação conjunta entre SAMU, UPAs e hospitais é parte central desse novo modelo de regulação.
Combate à dengue
Além das medidas na saúde hospitalar, a prefeitura também anunciou o início de uma campanha integrada de enfrentamento à dengue em 2026. A ação envolve as secretarias de Saúde, Meio Ambiente, Educação, Infraestrutura e Comunicação.
Dados apresentados na coletiva mostram redução expressiva nos casos da doença: em janeiro de 2025 foram registrados cerca de 3 mil casos confirmados, contra 10 casos em janeiro de 2026. Já os casos suspeitos passaram de 5.698 para 814 no mesmo período.
Como parte da estratégia, todas as UPAs da cidade passaram a adotar o chamado atendimento em “Y”, com separação entre pacientes com suspeita de dengue e demais atendimentos, além da instalação de tendas específicas para triagem.
Resumo do caso
Confira um resumo com atualizações sobre o caso.



