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Prefeitura de Ribeirão abre pela 2ª vez processo licitatório para captação de água do Rio Pardo

Cidade é dependente do Aquífero Guarani, que sofre com queda drástica no volume; 1ª tentativa não teve empresas interessadas
Prefeitura de Ribeirão abre pela 2ª
Cidade é dependente do Aquífero Guarani, que sofre com queda drástica no volume; 1ª tentativa não teve empresas interessadas

Cidade é dependente do Aquífero Guarani, que sofre com queda drástica no volume; 1ª tentativa não teve empresas interessadas

A Prefeitura de Ribeirão Preto reabriu o processo de licitação para contratar empresa que fará a captação de água no Rio Pardo. Esta é a segunda tentativa: a primeira concorrência, lançada em dezembro, não despertou interesse entre as empresas convidadas.

Motivos e situação atual do abastecimento

O objetivo do município é criar uma fonte alternativa de abastecimento. Hoje, Ribeirão Preto é abastecida exclusivamente pelo Aquífero Guarani, fazendo parte do grupo de municípios que dependem 100% de água subterrânea. A água retirada do aquífero tem vantagens, como qualidade superior e tratamento reduzido em comparação com fontes superficiais, mas especialistas alertam para riscos de sustentabilidade.

O engenheiro civil Carlos Alencastre afirma que a reposição do aquífero não acompanha o ritmo de extração: “O consumo é maior que a reposição. Os poços precisam ser rebaixados constantemente e fica difícil prever por quanto tempo o aquífero dará conta do abastecimento de uma cidade do porte de Ribeirão Preto”.

O projeto de captação no Rio Pardo

O novo plano prevê, pela primeira vez, a captação de água do Rio Pardo como fonte alternativa. O edital exige que as empresas apresentem propostas com estudos econômicos e ambientais; o volume captado terá de passar por tratamento, ser transportado até as áreas de consumo e ser armazenado adequadamente para uso humano.

O custo do estudo está estimado em R$ 3 milhões e a abertura dos envelopes está marcada para 1º de abril. Segundo o edital, os recursos para o estudo virão da Caixa Econômica Federal e dos Ministérios das Cidades e da Integração Nacional.

Debate técnico sobre gestão e desperdício

Além da busca por novas fontes, há divergência sobre prioridades. O ambientalista e professor da USP Marcelo Pereira avalia que, do ponto de vista técnico, o aquífero ainda poderia atender à cidade, desde que haja gestão adequada: segundo ele, corrigir o desperdício poderia dobrar o volume de água disponível atualmente. Pereira aponta que cerca de metade da água retirada do Aquífero Guarani se perde por vazamentos e ineficiências do sistema.

Para Alencastre, entretanto, é indispensável ter alternativas para uma cidade com mais de 700 mil habitantes: “Hoje nós só captamos água do Aquífero Guarani. Portanto, qualquer problema com o aquífero nos deixa sem opções.”

Com a reabertura da licitação, a Prefeitura espera atrair propostas que equilibrem viabilidade técnica, impacto ambiental e custo, diante do desafio de garantir abastecimento seguro para a população.

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