Empresas ou organizações sociais também podem ser contratadas; médicos pararam de atender nas UPAs por falta de pagamento
São Carlos enfrenta grave crise na saúde pública em seu primeiro mês de 2024. A principal queixa da população é a demora no atendimento médico, com pacientes relatando esperas de até cinco horas em unidades de pronto atendimento (UPAs).
Falta de Médicos e Pagamentos Atrasados
A raiz do problema está na falta de médicos, consequência direta do atraso nos pagamentos a esses profissionais. Médicos entrevistados, que preferiram não se identificar, relatam que os salários estão atrasados desde novembro de 2023, uma pendência da administração anterior. A situação se agrava com a falta de perspectiva de pagamento dos plantões de janeiro, mesmo com a prefeitura mantendo os vínculos empregatícios. Diante da insegurança financeira, muitos médicos estão optando por plantões em outras cidades onde o pagamento é garantido.
Contratação Emergencial e Irregularidades
Para tentar solucionar a crise, a prefeitura de São Carlos publicou no Diário Oficial a autorização para contratação emergencial de médicos. A forma de contratação, no entanto, é questionada. A prefeitura utiliza o Recibo de Pagamento Autônomo (RPA) para contratar os 135 profissionais, modalidade considerada irregular pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). O diretor do TCE de Araraquara, Marcelo Zacaro, explica que a prefeitura não pode realizar contratações contínuas por meio de RPA, sendo obrigada a utilizar concurso público, contratação por tempo determinado justificado ou comissionamento.
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Soluções em Andamento
O secretário de Saúde de São Carlos, Carlos Eduardo Colance, afirma que a prefeitura contratará 89 médicos imediatamente para suprir as UPAs e, em seguida, os especialistas. Ele espera que em uma ou duas semanas a situação esteja normalizada. Além disso, 45 profissionais aprovados em concursos públicos anteriores estão sendo contatados para iniciar suas atividades em até 15 dias. Embora medidas estejam sendo tomadas, a população ainda sofre com as consequências da falta de médicos e dos atrasos nos pagamentos, refletindo a fragilidade do sistema de saúde municipal.



