Trabalhadores entraram com ações, mas como a empresa está com os bens bloqueados, o Executivo pode ter que arcar com os custos
A prefeitura de Ribeirão Preto corre o risco de arcar com uma dívida milionária que não é sua. Funcionários da construtora Atmosfera, envolvida em esquema de corrupção, entraram com ações trabalhistas na justiça. Como os bens da empresa estão bloqueados, a prefeitura, por meio da Codep (empresa controlada pelo município), pode ser responsabilizada pelos valores.
Funcionários Lutam por Direitos
Cristina Castelha, ex-funcionária terceirizada da Codep, é uma das 600 pessoas que entraram com ação coletiva contra a Atmosfera. Ela relata salários pagos pela metade do valor devido e as consequências negativas em sua vida profissional. “Foi me enrolando… Quando saiu a folha, a gente foi descobrir que estava lá, como se eu tivesse recebido o dobro do que eu ganhava”, desabafa Cristina, que também afirma ter sofrido danos morais devido à má reputação da empresa envolvida em corrupção. Outra ex-funcionária, que prefere não ser identificada, relata desvio de função, atuando em diversas áreas sem a devida remuneração ou reconhecimento.
Prefeitura em Risco
A Atmosfera, apesar de continuar em atividade, teve seus bens e dinheiro bloqueados pela justiça após a Operação Cevandija em 2016. De mais de R$ 40 milhões desviados, quase R$ 20 milhões eram da empresa. Para a justiça trabalhista, a Atmosfera está suspensa. O advogado trabalhista Rodrigo Fernandes explica que, caso não seja possível recuperar os bens da construtora, a prefeitura, por meio da Codep, pode ser responsabilizada subsidiariamente pelas dívidas trabalhistas. A prefeitura afirma se esforçar para preservar o dinheiro público e aguarda o julgamento das ações para calcular o prejuízo.
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Implicações e Desfecho
A Atmosfera tornou-se alvo do Ministério Público após ganhar licitações milionárias, muitas delas consideradas fraudulentas. Os advogados da Atmosfera não se pronunciaram sobre o assunto. Todas as pessoas citadas negam envolvimento em esquema de corrupção. O caso demonstra a complexidade das relações entre empresas terceirizadas, órgãos públicos e a responsabilidade em garantir os direitos trabalhistas, mesmo em contextos de irregularidades e corrupção.



