Em um ano, foram 3500 novos moradores de rua na cidade, diz Instituto Limite, ligado à Prefeitura
A situação de moradores de rua em Ribeirão Preto, com foco na região da rodoviária e baixada, é o tema central desta reportagem. A realidade dessas pessoas, muitas vezes esquecidas e marginalizadas, é retratada através do relato de Francinal do Pereira da Silva, um morador de rua de 43 anos, natural do Maranhão.
Um retrato da realidade
Francinal deixou sua família há 15 anos em busca de oportunidades em São Paulo, mas acabou sem emprego e vivendo nas ruas. Sua rotina consiste em pedir dinheiro nos semáforos e, ao final do dia, dirigir-se à Cetrem (Central de Triagem para o Migrante Morador de Rua), um abrigo da prefeitura onde encontra comida, banho e um lugar para dormir. A distância percorrida, cerca de seis quilômetros, é feita a pé, e para lidar com a dura realidade, ele recorre ao álcool.
Números e contexto social
De acordo com o Instituto Limite, cerca de 3.500 moradores de rua foram registrados em Ribeirão Preto nos últimos 12 meses. Apenas 20% a 25% são da cidade, sendo 80% homens e a maioria na faixa dos 30 a 60 anos. O sociólogo Vlaumeir Souz aponta que medidas governamentais, como o teto de gastos e a greve dos caminhoneiros, agravaram a situação, prejudicando a assistência social e privilegiando o capital privado em detrimento da distribuição social. A solução, segundo ele, passa por investimentos em políticas públicas de assistência social, saúde, educação e moradia, além da geração de empregos.
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Ações e desafios
Apesar de ações do poder público, como o oferecimento de casas de passagem e auxílio na busca por emprego, o número de moradores de rua continua alarmante. A aceitação dos serviços oferecidos é voluntária, respeitando o direito de ir e vir. O trabalho de abordagem social é contínuo, mas depende da vontade das pessoas em serem ajudadas. A falta de dados consolidados sobre a população em situação de rua dificulta o planejamento de ações mais eficazes. A situação em Ribeirão Preto reflete um problema social grave no Brasil, representando um desafio para a administração pública na busca por soluções.



