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Presidente da Alesp teria pedido propina para agilizar contrato com a COAF

Acusação ao tucano Fernando Capez foi feita pela lobista Marcel Júlio, em depoimento ao Ministério Público
propina contrato COAF
Acusação ao tucano Fernando Capez foi feita pela lobista Marcel Júlio, em depoimento ao Ministério Público

Acusação ao tucano Fernando Capez foi feita pela lobista Marcel Júlio, em depoimento ao Ministério Público

Marcelo Júlio é apontado pela Polícia e pelo Ministério Público como o principal lobista da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar de Bebedouro). Após ser procurado durante três meses pela polícia, ele se entregou depois que seu pai, Leonel Júlio, também foi preso por envolvimento na fraude da merenda. A delação premiada de Marcelo foi homologada em abril deste ano.

O Esquema Revelado na Delação

A delação de 23 páginas revela detalhes de como o esquema funcionava. Segundo Marcelo, em 2014, ele e seu pai foram procurados por Cássio Chebab, então presidente da Coaf. A cooperativa havia vencido uma licitação para fornecer suco de laranja para escolas estaduais, mas enfrentava dificuldades para assinar o contrato com a Secretaria da Educação.

Chebab explicou que a cooperativa já havia comprado uma grande quantidade de laranjas dos pequenos produtores e estocado o suco, mas o atraso na assinatura do contrato gerava custos adicionais de aproximadamente R$ 45 mil por mês. Diante da situação, Marcelo se ofereceu para intervir através de um conhecido chamado Lycago Tiers, que trabalhava com o deputado Fernando Capes.

A Intermediação e o Pedido de Propina

Marcelo indicou o endereço do escritório político de Capes, onde, segundo ele, Cássio chegou a ser atendido pelo próprio deputado. Capes teria ligado para Fernando Pádula, chefe de gabinete da Secretaria de Educação, e informado que o edital havia sido cancelado devido a um erro da Secretaria, mas que uma nova licitação seria realizada. Ao se despedir, Capes teria feito um gesto com as mãos, indicando que precisava de dinheiro para sua campanha.

Pouco tempo depois, Jeter Rodrigues, assessor de Capes, procurou Marcelo e solicitou a doação de quatro veículos para a campanha do deputado. Como a Coaf não conseguiu alugar os carros, um Gol branco foi emprestado para a campanha. Após a publicação do novo edital, Jeter exigiu 2% do contrato e mais R$ 450 mil para a campanha de Capes. A parte de Jeter foi fixada em R$ 200 mil. O assessor teria ameaçado bloquear os pagamentos da cooperativa caso a porcentagem não fosse paga.

Pagamentos e Contradições

De acordo com a delação, os pagamentos para a campanha de Capes foram feitos em dinheiro vivo, sem recibos, durante a execução do contrato de R$ 10 milhões. Um dos pagamentos, no valor de R$ 20 mil, teria sido realizado dentro da Assembleia Legislativa a outro assessor de Capes.

O deputado Fernando Capes negou qualquer envolvimento com o esquema da máfia da merenda e afirmou não conhecer Marcelo Júlio ou os membros da Coaf. Ele apresentou trechos de outros depoimentos de Marcelo, alegando que ele se contradiz e que nunca interferiu em favor da Coaf. O Tribunal de Justiça confirmou que Marcelo foi ouvido, mas não confirmou o teor do depoimento. O advogado do ex-presidente da Coaf, Cássio Chebab, confirmou as afirmações da delação de Marcelo. A defesa de Likago Thierrys negou que ele fosse amigo de Marcelo ou que tenham conversado sobre a Coaf. Fernando Pádula negou ter falado por telefone com o deputado Fernando Capes. O advogado de Jeter Rodrigues não foi encontrado, assim como Marcelo Júlio.

A apuração do caso segue em andamento, buscando esclarecer os fatos e responsabilidades nesse intrincado esquema.

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