O Botafogo-SP enfrenta um momento delicado fora de campo. Em decisão unânime, a Justiça manteve a suspensão do repasse de 20% das receitas da SAF ao clube associativo, o BFC, valor que clube pretendia utilizar para o pagamento de credores dentro do Regime Centralizado de Execuções (RCE).
Com isso, o BFC precisa apresentar um plano alternativo para quitar suas dívidas, já que essa fonte de receita era considerada essencial dentro do modelo aprovado anteriormente. A decisão também determina que o conflito entre as partes seja tratado exclusivamente na Câmara de Arbitragem Brasil Canadá, onde a disputa já tramita.
Defesa do clube
Em entrevista exclusiva à CBN, o presidente do Botafogo-SP, Alessander de Martin, afirmou que o departamento jurídico está atuando para resolver pendências herdadas de gestões anteriores e negou irregularidades.
Segundo ele, toda a documentação solicitada pela Justiça — como extratos bancários e contratos — foi ou será apresentada dentro do prazo. Sobre as suspeitas levantadas em relatório da empresa Laspro, o dirigente foi enfático:
“Não existe fraude nenhuma. Não há dinheiro circulante no clube hoje, apenas dívidas deixadas por gestões anteriores. Isso parece piada.”
Ele também reconheceu problemas históricos na contabilidade, mas afirmou que a atual gestão trabalha para regularizar inconsistências acumuladas ao longo dos anos.
Plano B e risco ao RCE
Com a manutenção da suspensão do repasse, o clube busca alternativas para manter o pagamento aos credores. De acordo com o presidente, um “plano B” será apresentado à Justiça, embora admita dificuldades financeiras:
“As receitas atuais não pagam nem o dia a dia. Dependemos de doações e apoio interno para manter o clube funcionando.”
A situação também coloca em risco o próprio RCE, mecanismo que protege o clube contra execuções diretas e perda de ativos. Sem os recursos previstos, há incerteza sobre a continuidade desse regime.
Disputa com a SAF
O centro da disputa está na origem da SAF. O empresário Adalberto Batista, presidente do Conselho de Administração da Botafogo SA, defende que a empresa — e não o BFC — é a responsável pela estruturação da SAF, o que justificaria a não obrigatoriedade do repasse dos 20%.
Já o clube associativo sustenta que tem direito ao percentual para honrar dívidas e manter suas atividades, inclusive por ser detentor de participação na SAF.
Próximos passos
O caso segue agora concentrado na arbitragem, enquanto o BFC tenta garantir sustentabilidade financeira e evitar impactos maiores, como perda de participação societária ou inviabilidade do pagamento aos credores.
Enquanto isso, dentro de campo, o Botafogo-SP volta suas atenções para a Série B, buscando manter o bom início de competição apesar da turbulência nos bastidores. O time volta à campo nesta sexta-feira, às 20h30, no duelo contra o Criciúma, no Estádio Heriberto Hulse.



