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O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro, marca o início do Setembro Amarelo, uma campanha crucial para conscientizar sobre a prevenção do suicídio. Em entrevista à CBN, especialistas discutiram os fatores que contribuem para esse problema de saúde pública.
Fatores que levam ao suicídio: um olhar multidisciplinar
O suicídio é um tema complexo, com raízes em diversos aspectos da vida de um indivíduo. A psicóloga Daniela Izeote destaca a importância de uma análise multifacetada, considerando fatores clínicos, físicos e emocionais. Desequilíbrios físicos, como patologias neurológicas, demências, tumores e infecções não tratadas, podem levar a quadros psicóticos ou delirium, aumentando o risco de suicídio. Além disso, condições como hipotiroidismo e diabetes, que mimetizam sintomas depressivos, também merecem atenção. A médica ressalta a necessidade de descartar causas clínicas antes de atribuir a depressão como única causa.
Desmistificando o suicídio: quebrando tabus e buscando ajuda
O psiquiatra Tiago Apolinário destaca o estigma em torno do suicídio, enfatizando que falar abertamente sobre o tema não incentiva, mas sim reduz o risco. Questionar diretamente sobre pensamentos suicidas demonstra acolhimento e permite o encaminhamento para tratamento adequado. A maioria das pessoas que cometem suicídio procurou ajuda médica no mês anterior, indicando a importância de estar atento a sinais como desesperança, baixa autoestima e anedonia. É crucial lembrar que “cachorro que late morde sim”, ou seja, quem verbaliza a intenção de suicídio apresenta risco real e necessita de intervenção.
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Prevenção e conscientização: o papel da família, amigos e da sociedade
O coordenador do Centro de Valorização da Vida (CVV), Francisco Carlos Basílio Cardoso, destaca o trabalho da instituição em receber ligações e mensagens de pessoas em sofrimento, incluindo crianças e adolescentes. A comunicação online, por meio de texto, muitas vezes facilita a abertura de indivíduos mais jovens. Fatores como desestrutura familiar, falta de diálogo, isolamento social, violência doméstica, dependência química e bullying são apontados como fatores de risco. A crise econômica também contribui para o aumento de casos, afetando a saúde mental de pessoas de todas as idades. A conscientização, a conversa aberta em família e a busca por ajuda profissional são fundamentais para prevenir o suicídio.
A entrevista reforça a necessidade de um olhar atento aos sinais de sofrimento, a importância de quebrar o silêncio em torno do suicídio e a urgência de buscar ajuda profissional. A prevenção é possível, e a união de esforços da sociedade, da família e dos profissionais de saúde é crucial para salvar vidas.



