Mais de seis mil pessoas teriam sido atendidas por esses profissionais, entre junho e dezembro; contrato não será renovado
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) de Franca, responsável por apurar as denúncias de falsos médicos que atuaram nos prontos-socorros Infantil e Álvaro Azzuz, iniciou a fase de depoimentos nesta terça-feira. O primeiro a ser ouvido é João da Rocha, diretor do Instituto Ciência e Vida (ICV), a organização que forneceu os serviços médicos às instituições.
O Início dos Depoimentos e as Primeiras Impressões
O presidente da CEI, vereador Márcio do Flórida, esclareceu que, inicialmente, o depoimento de João da Rocha visa esclarecer algumas dúvidas. Ele enfatizou que Rocha se propôs voluntariamente a depor. A CEI requisitou documentos da Prefeitura e do ICV, que devem ser recebidos em breve, tornando este primeiro depoimento preliminar. A possibilidade de uma nova convocação após a análise dos documentos não está descartada. O depoimento ocorreu na Câmara Municipal.
Irregularidades Constatadas nos Prontos-Socorros
Durante uma visita surpresa ao pronto-socorro Álvaro Azzuz, a Comissão identificou duas irregularidades que serão consideradas no processo. A primeira diz respeito ao número de médicos em serviço, que era inferior ao determinado por escala. A segunda irregularidade envolveu as trocas de plantões entre os profissionais.
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Foi constatada uma diferença entre o contrato e o número de médicos presentes, com uma diferença de pelo menos três médicos em cada turno, tanto no pronto-socorro infantil quanto no adulto. Além disso, a maioria dos médicos trabalhando não correspondia aos nomes na escala, gerando uma grande troca de profissionais e impactando a confiança da população.
O Contrato e o Futuro da Assistência Médica
O contrato entre a Prefeitura de Franca e o ICV vigorou até setembro. A Secretária de Saúde do Município, Rosane Moscardini, afirmou que a prioridade é garantir que a população não fique desassistida. O departamento jurídico está analisando se o contrato será encerrado ou se outra empresa será contratada. A última renovação do contrato teve um custo de R$ 5,3 milhões.
A comissão tem um prazo de quatro meses para concluir as apurações, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias. As investigações sobre os falsos médicos estão sendo conduzidas pela Polícia Civil de Mayrink, onde dois dos falsos profissionais atuaram.
O foco permanece em assegurar a continuidade dos serviços de saúde para a comunidade, enquanto as investigações seguem para elucidar os fatos.



