O número de homens presos por descumprimento de medidas protetivas aumentou 30% entre janeiro e fevereiro deste ano na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, 53 agressores foram detidos em flagrante no período após desrespeitarem decisões judiciais que determinavam distância das vítimas.
A comparação foi feita pela Polícia Militar na área do Terceiro Batalhão, responsável pelo atendimento de sete cidades da região. O aumento acontece às vésperas do Dia Internacional da Mulher e acende um alerta para a violência contra mulheres.
Uma moradora de Ribeirão Preto, que prefere não se identificar, relatou que conseguiu escapar das agressões do ex-marido graças à medida protetiva. Segundo ela, após anos de relacionamento, as agressões começaram de forma verbal e evoluíram para violência física.
“Depois dos 10 anos que eu vivi feliz com ele, veio o tormento. A partir do momento em que ele começou a agredir verbalmente, já foi mexendo com o meu psicológico”, desabafa a vítima.
Após 23 anos juntos, ela decidiu encerrar o relacionamento. Mesmo assim, o ex-companheiro continuou perseguindo e ameaçando a vítima. Apesar da medida protetiva, o homem insistia em ir até a casa da vítima. Em diversas ocasiões, a Polícia foi acionada, mas ele fugia antes da chegada da viatura.
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A situação só terminou quando ele foi localizado e preso após nova violação da ordem judicial. O trabalho da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar foi decisivo para garantir a proteção da mulher.
Feminicídios em alta
Apesar do aumento nas prisões por descumprimento de medidas protetivas, os números de feminicídio também cresceram no interior de São Paulo. Em janeiro deste ano, 21 mulheres foram assassinadas. No mesmo mês do ano passado, foram 12 vítimas, um aumento de 75%.
Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o número de feminicídios quase dobrou entre 2021 e 2025, com crescimento de 96%. Segundo o levantamento, em oito a cada dez casos, os assassinos tinham algum vínculo afetivo com a vítima.
Outra mulher ouvida pela reportagem também relatou que precisou recorrer à medida protetiva após sofrer ameaças do ex-companheiro, que chegou a apontar uma faca contra ela. Mesmo após o fim do relacionamento, ela continuou sendo perseguida até buscar ajuda da Polícia.
De acordo com a cabo da Polícia Militar, Michele Cortes, muitos agressores alegam desconhecer que o descumprimento da medida protetiva é crime.
“Eles dizem que procuraram a vítima apenas para pedir desculpas ou tentar reatar o relacionamento”, detalha a cabo.
A policial ressalta que a conscientização das vítimas sobre os sinais da violência doméstica é fundamental para que procurem ajuda.
Tecnologia de proteção
Para ampliar a segurança das mulheres, a Polícia Militar orienta vítimas com medida protetiva a utilizarem o aplicativo SOS Mulher. A ferramenta possui um botão de emergência que aciona automaticamente o sistema da corporação. Quando ativado, uma viatura é enviada imediatamente ao local da ocorrência.
Casos de violência ou descumprimento de medida protetiva podem ser denunciados a qualquer momento pelo telefone 190, da Polícia Militar.



