Índice caiu 1% no terceiro mês do ano; no acumulado dos últimos 12 meses, número é de 5,6%
Em tempos de inflação crescente, juros elevados e um mercado em retração, o consumidor brasileiro tem demonstrado maior cautela na busca por crédito. Os hábitos mudaram, e a procura por financiamentos em bancos e financeiras reflete essa nova realidade econômica.
Queda na Demanda por Crédito
De acordo com dados da Boa Vista SCPC, a demanda por crédito recuou 1% em março. Embora possa parecer um número pequeno, essa queda representa a continuidade de uma tendência de baixa que se mantém há mais de um ano. O economista Flávio Calife destaca que o acumulado dos últimos 12 meses já atinge -5,6%.
A demanda procreta, como é tecnicamente chamada, vem caindo consistentemente. No primeiro trimestre, a queda já alcança 6%, e a perspectiva para os próximos meses não é de melhora significativa.
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Causas da Retração
A principal causa dessa retração é a mudança no mercado de trabalho, com perda de renda e aumento do desemprego. Essa combinação leva à diminuição do consumo, que, por sua vez, impacta a demanda por crédito. O consumidor, mais consciente, busca evitar o endividamento excessivo.
Apesar da queda na demanda por crédito indicar uma retração econômica, ela também pode ser vista como um sinal de que o consumidor está se protegendo de dívidas futuras, o que pode ser positivo a longo prazo.
Perspectivas Futuras
Flávio Calife não espera grandes mudanças no cenário da demanda procreta a curto prazo. A expectativa é que ela continue acompanhando a intenção de consumo e a confiança do consumidor. Embora existam sinais de possíveis mudanças na dinâmica econômica, ainda é cedo para prever um impacto positivo imediato.
A retomada do investimento e do consumo deve levar tempo, e a demanda procreta deve permanecer negativa em relação ao ano anterior. O consumidor deve continuar cauteloso na hora de tomar crédito e consumir, evitando o endividamento.
Os números da Boa Vista SCPC consideram a busca por crédito em financiadoras e instituições bancárias, sem analisar os pedidos que foram recusados. A demanda por crédito, que já era negativa em 2014, mantém essa tendência mês após mês. Em março, as instituições financeiras registraram uma queda de 6,1%, enquanto o segmento não financeiro teve variação negativa de 5,3%.
Diante deste quadro, o consumidor adota uma postura mais conservadora.



