Atendimentos diários do Banco do Povo caem de 60 para 40 em Ribeirão Preto
A retração econômica tem impactado diversos setores, e um reflexo disso é a diminuição na procura por empréstimos, como observado no Banco do Povo. Em Ribeirão Preto e região, empreendedores demonstram cautela diante do cenário incerto, adiando planos de expansão e investimentos.
O Impacto nos Negócios Locais
A comerciante Beatriz da Silva Leme, proprietária do Bardela no bairro Simione, é um exemplo. Seus planos de reformar o estabelecimento com um empréstimo de R$10 mil foram adiados devido à queda nas vendas. “As pessoas estão comprando menos, e como vamos fazer um empréstimo sem o faturamento necessário?”, lamenta Beatriz, que precisou adiar seus planos de reforma.
Diminuição na Procura por Empréstimos
A cautela de Beatriz reflete a de muitos outros empreendedores. A procura por empréstimos no Banco do Povo diminuiu, com o número de atendimentos diários em Ribeirão Preto caindo de 60 para 40. No estado de São Paulo, houve uma queda de 10% nos contratos de empréstimos em comparação com o primeiro semestre do ano anterior. Na região de Ribeirão, o valor médio emprestado também sofreu uma redução, passando de R$6.500 para R$5.000.
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Insegurança e Expectativa por Melhora
Ismael Colose, diretor da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho de Ribeirão Preto, destaca a insegurança dos empreendedores diante do cenário atual. “O empreendedor está mais receoso, segurando os investimentos e pedindo valores menores”, afirma Colose, ressaltando que os investimentos só serão efetivados após a certeza de que a economia está equilibrada.
O economista e professor da USP, Sergio Sacurai, complementa que a queda nos investimentos não se restringe a Ribeirão Preto, mas se estende por toda a região. Sacurai não vislumbra uma recuperação a curto prazo, indicando que as empresas enfrentam um período difícil com receitas em queda.
O Banco do Povo oferece empréstimos para empresas e pessoas que comprovem atividade exercida nos últimos seis meses e tenham um faturamento mensal de até R$30 mil, com uma taxa de juros de 0,35% ao mês.
Em um momento de incertezas, a decisão de adiar investimentos reflete a busca por estabilidade e a esperança de que um cenário econômico mais favorável se apresente em breve.



