Este é o profissional responsável por ‘montar o quebra-cabeça’ dos paralelepípedos da avenida; serviço foi retomado hoje (30)
A restauração da Avenida 9 de Julho, no centro de Ribeirão Preto, avançou com o início da recolocação dos paralelepípedos no quarteirão entre as ruas Garibaldi e São José. O serviço é executado pela empresa Era Técnica, responsável pela obra em um trecho do patrimônio tombado da cidade.
Desafio da mão de obra especializada
A recomposição do pavimento expôs um obstáculo que tem se repetido em obras históricas: a escassez de calceteiros. O trabalho é artesanal, não pode ser mecanizado e exige profissionais com técnica e experiência, pouco comuns no mercado paulista. A Prefeitura e a construtora enfrentaram dificuldades para indicar mão de obra qualificada, situação que levou à busca por profissionais de outras regiões ou por trabalhadores experientes localmente.
O calceteiro Expedito e o trabalho manual
Entre os artesãos recrutados está Expedito Agostinho, de 75 anos. Formado na profissão pelo pai, ele aprendeu o ofício aos 19 anos e vive em Ribeirão Preto desde a década de 1990. Expedito, que chegou a acompanhar uma reforma da avenida em 1992, foi convocado para retomar o serviço após rompimento do contrato da empresa Metropolitana com a Prefeitura em dezembro de 2023. Hoje trabalha com dois ajudantes e diz aceitar o emprego tanto pelo ganho como pela preservação do patrimônio: ‘Eu sou aposentado, minha esposa é aposentada. Então dentro da realidade mesmo eu não tô precisando pra mim comer, beber, não tô precisando disso aqui não. Mas como apareceu esse serviço aqui, vou ganhar um dinheiro e vou ajudar. Eu tô ajudando a preservar o patrimônio que a gente tem.’
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Prazos, impacto no trânsito e medidas de apoio
Segundo o engenheiro Elton Lucarello Molino, da Era Técnica, a empresa planeja contratar mais duas equipes para dividir o trabalho em trechos e acelerar a recolocação dos paralelepípedos. ‘O seu Expedito já tinha feito um trecho na empresa anterior, por ele ser da cidade e ser uma referência nesse serviço manual. A gente vai agregar ele com demais turmas que vão começar daqui algumas semanas’, explicou o engenheiro, ressaltando a baixa produtividade natural do serviço artesanal.
A previsão é entregar o primeiro trecho da obra em maio e concluir toda a restauração da avenida em dezembro de 2024. A Secretaria de Obras acompanha o andamento e admite um período inicial de ajustes no ritmo dos trabalhos, segundo o chefe da pasta, Pedro Pegoraro: ‘Esse é o nosso objetivo. Evidente que toda obra no seu início tem um período de ajuste, de ritmo de obra. À medida em que o ritmo de obra é conseguido, a obra vai com mais facilidade’.
Até o momento, a interdição está restrita a dois quarteirões, com as ruas São José e Marcôntese Salgado mantendo o tráfego. A Prefeitura prevê novas interdições conforme o avanço dos serviços e estuda a criação de bolsões de estacionamento para apoiar comerciantes afetados. A Rpmob é responsável pelo monitoramento do andamento das intervenções.
A restauração da Avenida 9 de Julho destaca a importância de ofícios tradicionais para a preservação de espaços históricos e a necessidade de conciliar prazos, logística e medidas de mitigação para reduzir os impactos no comércio e no trânsito local.



