Alegação é que Gilberto Chierice prescreveu, ministrou e/ou aplicou substância para cura de doença
O químico Gilberto Q. Érce, aposentado e ex-pesquisador da USP de São Carlos, foi denunciado por suposto crime de curandeirismo, conforme alegação da própria universidade. A acusação se baseia na prática de Érce em prescrever, ministrar ou aplicar uma substância para a cura de doenças, a fosfoetanolamina sintética, sem a devida comprovação científica e registro nos órgãos competentes.
O Inquérito e as Investigações
O caso, inicialmente encaminhado à Polícia Federal, agora está sob responsabilidade da Polícia Civil de São Carlos, que abriu um inquérito em 15 de fevereiro. Além de Érce, foram ouvidos o pesquisador Salvador Claro Neto e o diretor do Instituto de Química, Hermano Tremelhioz e Filho. A polícia também planeja ouvir pacientes com câncer que utilizaram a substância.
A Fósfoetanolamina Sintética: Promessa e Controvérsia
A fosfoetanolamina sintética, desenvolvida para o tratamento de tumores malignos, ganhou notoriedade como uma possível cura para diferentes tipos de câncer. No entanto, a substância não passou por testes rigorosos em humanos e sua eficácia não foi comprovada, o que impede seu reconhecimento como medicamento. A falta de registro na Anvisa e os efeitos desconhecidos nos pacientes geram preocupação.
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Posicionamentos e o Futuro da Substância
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu o professor Érce, ressaltando a necessidade de aprofundar os estudos para comprovar a eficácia da substância. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por sua vez, anunciou que a fosfoetanolamina não é tóxica e sugeriu sua venda como suplemento alimentar, com base em estudos de universidades federais. O ministro Celso Pancera enfatizou que a legalização da pílula seria a única forma de controlar o consumo ilegal.
Embora a substância não tenha sido testada cientificamente em humanos, ela foi distribuída gratuitamente a pacientes com câncer por mais de 20 anos. Atualmente, o Instituto do Câncer coordena uma pesquisa para testar a substância em pacientes, com a sintetização do composto já iniciada em um laboratório de Cravinhos. A Fundação para o Remédio Popular em Américo Brasiliense será responsável por encapsular a fórmula, que será então encaminhada ao Instituto do Câncer para os testes em humanos.
O debate em torno da fosfoetanolamina sintética é complexo e envolve questões científicas, éticas e legais. A pesquisa em andamento busca determinar a segurança e eficácia da substância, o que poderá definir seu futuro e seu impacto no tratamento do câncer.



