País seguia em uma crescente até 2022, quando registou queda 8,5% em comparação ao ano anterior; Dalton Marques comenta
A produção científica brasileira registrou uma queda de 7% em 2023, retornando aos níveis pré-pandemia. Isso representa uma redução de 69 mil artigos científicos publicados por pesquisadores brasileiros, impactando a geração de conhecimento e soluções para problemas sociais e ambientais urgentes.
Queda na Produção Científica: Um Cenário Global
A diminuição na produção científica não foi exclusiva do Brasil. Um relatório da editora Elsevier e da agência Bori apontou que 20 países apresentaram queda na produção em 2023, com o Brasil ocupando a terceira pior posição. Apesar de um crescimento constante desde 1996 até 2021, o país já havia registrado uma redução de 8,5% em 2022. De 31 instituições de pesquisa brasileiras com mais de mil publicações, apenas a Universidade Federal de Juiz de Fora e a Universidade Federal de Pernambuco não sofreram redução. Outro relatório da Clarivate Analytics posicionou o Brasil em 13º lugar no ranking global de produção científica entre 2019 e 2023, com uma produção total de 458 mil estudos, mas com queda nos últimos anos.
Causas da Redução: Investimentos e Pandemia
A redução nos investimentos públicos em ciência, pesquisa e desenvolvimento (C&T) é um fator crucial. Em 2023, o investimento público em C&T foi 76% do aplicado em 2015, representando uma diminuição de quase 25%. A consequência disso é a defasagem de equipamentos, a falta de renovação de projetos e a redução de bolsas de estudo, impactando o interesse em mestrados e doutorados. A pandemia também contribuiu, interrompendo pesquisas e afetando a disponibilidade de recursos e o acesso aos laboratórios.
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Desempenho em Áreas Específicas e Perspectivas Futuras
Apesar da queda geral, o Brasil se destaca na área de saúde, responsável por cerca de 27% das publicações, impulsionada pelo SUS. No entanto, o impacto global da produção científica brasileira é baixo (0,8% de estudos altamente citados, contra 1% da média mundial). Países como Taiwan e Etiópia registraram as maiores reduções, enquanto Emirados Árabes Unidos e Iraque lideraram o crescimento, embora não estejam entre os maiores produtores de ciência. A recuperação da produção científica brasileira requer um aumento significativo dos investimentos em C&T e a superação dos desafios impostos pela pandemia.