Segundo a Unica, esse valor é 18% maior do que o ano passado; preço alto do açúcar e da gasolina impulsionaram as vendas
A safra de cana-de-açúcar de 2018 apresentou resultados surpreendentes, com a produção de álcool superando a de açúcar, segundo balanço divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Produção recorde de etanol
Com quase 557 milhões de toneladas de cana moída (4,1% a menos que em 2017), as usinas direcionaram a maior parte da produção para o etanol, registrando um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Este resultado representa um recorde na produção brasileira de etanol, enquanto a produção de açúcar caiu mais de 26%, totalizando 26 milhões de toneladas.
Fatores que influenciaram a produção
A decisão das usinas de priorizar o etanol foi influenciada por dois fatores principais: a queda nos preços internacionais do açúcar e o aumento significativo no preço da gasolina após mudanças na política da Petrobras. A consequente alta procura por etanol, impulsionada pela diferença de preços nos postos de combustíveis, levou ao consumo de quase 15 bilhões de litros, ultrapassando o consumo total de 2017. A antecipação da safra devido à seca também contribuiu para os resultados.
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Preço do etanol nas bombas
Apesar do recorde na produção e vendas acumuladas de etanol (21,8 bilhões de litros, sendo 1,18 bilhão exportado e mais de 20 bilhões comercializados internamente), o reflexo nos preços para o consumidor final não foi imediato. Muitos postos de combustíveis chegaram a aumentar o preço do etanol, mesmo com a alta produção. Essa discrepância se explica pela diferença entre a produção nas usinas e a comercialização até chegar ao consumidor, com as distribuidoras se beneficiando do grande volume sem repassar a redução de custos integralmente. A proximidade do fim de ano e o aumento da demanda contribuíram para a alta de preços observada em algumas regiões.
A safra de cana-de-açúcar de 2018, finalizada entre novembro e dezembro, com 45 usinas encerrando na segunda quinzena de novembro e 131 na primeira quinzena de dezembro, mostrou uma clara preferência pela produção de etanol, impulsionada por fatores econômicos e climáticos. A disparidade entre a produção recorde e o preço final ao consumidor, no entanto, destaca a complexidade da cadeia de comercialização do etanol.



