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Produtores de café investem em irrigação para amenizar os impactos da estiagem nos cafezais

Em algumas lavouras no interior de São Paulo e Sul de Minas, não há registro de chuvas volumosas há seis meses
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Em algumas lavouras no interior de São Paulo e Sul de Minas, não há registro de chuvas volumosas há seis meses

Em algumas lavouras no interior de São Paulo e Sul de Minas, não há registro de chuvas volumosas há seis meses

Mais um episódio do programa Ep Agro, da CBN, discute os impactos da seca prolongada nas lavouras de café e as soluções encontradas pelos produtores.

Seca e Irrigação no Cafezal

Após seis meses sem chuvas e temperaturas elevadas, os cafezais da região da Alta Mogiana, em Ribeirão Corrente, sofrem com folhas amareladas e aspecto seco. Mesmo com irrigação, o cenário é crítico, relata o produtor Rafael Stefani, que utiliza 80 hectares irrigados. Ele destaca a importância da irrigação como solução para mitigar os efeitos da seca, comparando a produtividade de áreas irrigadas (60 sacas por hectare) com as não irrigadas (apenas 9 sacas em 2021). A irrigação, segundo ele, é um investimento que se paga em anos de estiagem, apesar do alto custo de instalação (20 a 25 mil reais por hectare) e do consumo de água (30 mil litros por hora).

Manejo do Solo e Autorizações para Irrigação

O engenheiro agrônomo Paulo Pimenta reforça a necessidade de um manejo adequado do solo, incluindo plantio, correção, fertilidade e controle de pragas e doenças, para que a irrigação seja eficaz. Apesar da importância da irrigação, apenas cerca de 15% das lavouras de café brasileiras são irrigadas (12% na Alta Mogiana), segundo Leandro Simão de Andrade, pesquisador da Fundação Procafé. A dificuldade de acesso à água e os custos de instalação são os principais desafios. A repórter Viviane Abril explica o processo para obter autorização de uso de água junto à ANA (Agência Nacional de Águas), destacando a importância da regularização para evitar multas e penalidades.

Previsões Climáticas e o Futuro da Safra

Com a chegada das chuvas, os produtores iniciam o planejamento da próxima safra. Mar Cantone, do Instituto Agronômico de Campinas, prevê a regularização das chuvas, embora temporais com fortes rajadas de vento e granizo ainda sejam possíveis. A atuação do fenômeno La Niña, que causou a seca prolongada, deve diminuir na primavera, indicando um verão mais úmido. A União Europeia pode adiar para 2026 a lei que restringe a compra de produtos de áreas desmatadas, o que impacta o agronegócio brasileiro. José Carlos de Lima Jr. analisa a situação, destacando a necessidade de rastreabilidade e certificação para garantir o acesso ao mercado europeu. A demora no canto das cigarras, devido à seca, também preocupa os cafeicultores, pois indica maior tempo de sucção de nutrientes das raízes, aumentando os danos à lavoura.

O programa finaliza com a discussão sobre os desafios e adaptações do setor cafeeiro frente às mudanças climáticas, a importância da tecnologia e da gestão de recursos hídricos para garantir a produtividade e a sustentabilidade da produção.

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