Estratégia é vista pelo setor sucroalcooleiro como saída para superar a crise financeira
Em um cenário de desafios para o setor sucroalcooleiro, produtores de cana-de-açúcar têm encontrado na venda de resíduos para geração de energia uma alternativa promissora. A cana-de-açúcar, reconhecida como uma biomassa versátil, oferece a possibilidade de ser quase integralmente convertida em energia aproveitável. Processos industriais inovadores permitem transformar o bagaço e a palha da cana em energia elétrica, entre outras aplicações.
Reaproveitamento e Sustentabilidade
O reaproveitamento dos subprodutos da cana não apenas contribui para a redução do impacto ambiental, mas também possibilita que algumas indústrias gerem toda a energia necessária para a produção em suas próprias instalações. Luis Carlos Dalben, produtor de cana pioneiro no recolhimento da palha, destaca que o material, antes sem valor, atrásra é um importante recurso para a indústria, auxiliando na cobertura dos custos de produção.
A Palha como Fonte de Renda e Energia
Dalben explica que foi estabelecido um acordo com a usina para a comercialização da palha, considerando os custos operacionais e uma margem de lucro. Atualmente, cerca de 50% da palha remanescente no campo após a colheita é recolhida. Esse avanço representa um menor impacto ambiental, já que anteriormente a palha era queimada junto com a cana. A legislação ambiental, que progressivamente restringiu a queima, impulsionou a busca pela palha para a cogeração de energia, juntamente com o bagaço.
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Desafios e Perspectivas Futuras
O engenheiro agrônomo Dibe Nunes aponta que, embora o bagaço da cana já seja utilizado na cogeração de energia, a quantidade não é suficiente para suprir a demanda da indústria durante todo o ano. A mistura da palha ao bagaço surge como uma solução para aumentar a geração de energia. No entanto, a falta de incentivos governamentais e os altos custos de investimento em linhas de transmissão e conexão ainda representam obstáculos para a expansão da cogeração de energia de biomassa da cana no país.
O aproveitamento da palha da cana pode gerar outros produtos, como ração animal e etanol celulósico de segunda geração. A otimização dos processos de colheita, enfardamento e processamento da palha pode aumentar a competitividade do setor, especialmente em um cenário de preços instáveis do açúcar e do etanol. A biomassa da cana-de-açúcar se destaca como uma fonte de energia limpa e renovável, com uma capacidade instalada de 10 mil megawatts no Brasil.
A valorização dos resíduos da cana demonstra um caminho promissor para o setor sucroalcooleiro, impulsionando a sustentabilidade e a diversificação de receitas.



