Brasil é principal produtor do mundo, mas ainda ‘engatinha’ quando o assunto é o café puro, livre de substâncias químicas
A produção de café orgânico no Brasil ainda engatinha, mas a demanda internacional por um café puro, livre de químicos, cresce a cada dia. Quem abraça essa modalidade descobre um mercado lucrativo, com preços mais altos que compensam os métodos diferenciados de cultivo.
Cultivo com energia e respeito à natureza
Eliana Reis, produtora de café, vai além das práticas convencionais e utiliza a terapia prânica em sua lavoura, um tratamento energético que visa o equilíbrio da plantação. Nem mesmo as folhas caídas são removidas; elas servem como adubo natural e ajudam a manter a umidade do solo. A colheita é manual para evitar desperdícios, resultando em pés de café mais folhosos. Os grãos são secados ao sol e vento, longe do chão, acelerando o processo em até 30%.
Práticas sustentáveis e aumento da produtividade
Em outra propriedade, Nício Gleison optou pela produção orgânica, plantando café em área de mata nativa, sem remover as árvores existentes. “Uma árvore que antes era vista como ruim para o café, hoje é benéfica”, afirma ele, referindo-se ao sombreamento proporcionado pelas árvores. Sua expectativa de colheita é de 50 sacas de 60 quilos cada, com cada saca valendo mais de R$ 900. O engenheiro agrônomo João Paulo Pinheiro destaca o sabor diferenciado do café orgânico após a torra: “É um café tão forte quanto o convencional, mas com um sabor mais suave”.
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Expansão do mercado e incentivo à produção orgânica
A procura por café orgânico impulsiona a produção, principalmente no mercado internacional. Uma cooperativa, após visita a uma feira nos Estados Unidos, incentiva seus produtores a adotarem o cultivo orgânico. Dos 240 produtores, apenas 18 cultivam café sem defensivos industrializados. Em Três Corações, Minas Gerais, a experiência com técnicas alternativas, como a terapia prânica utilizada por Rafael Neves Merlo, terapeuta que trata os pés de café, demonstra o potencial de aumento da produção natural e a busca por métodos sustentáveis em uma região tradicionalmente cafeeira como o sul de Minas Gerais, referência nacional na produção.



