Agência Nacional de Águas (ANA) ativou o sinal de alerta pelas baixas nos reservatórios
Em entrevista ao GiroCMN, o professor Antonio Carlos Zulfo, associado da área de Hidrologia e Gestão de Recursos Hídricos da Unicamp, discorreu sobre a crise hídrica no Brasil e sua influência na região de Ribeirão Preto.
Problemas Ambientais nas Bacias Hidrográficas
Segundo o professor Zulfo, a unidade hidrográfica do Comitê de Bacias do Baixo Pardo e Grande apresenta diversos problemas ambientais, como a redução dos níveis dos rios e do lençol freático, combinada com o aumento do uso de recursos hídricos nas últimas décadas. Esse cenário gera conflitos pelo uso da água e acentua a pressão sobre os recursos disponíveis.
Ciclos de Precipitação e Previsões Futuras
O especialista destaca a existência de um ciclo de precipitação de longo prazo (30 a 50 anos), com períodos de chuvas mais intensas e períodos de estiagens prolongadas. Após um período de alta precipitação entre 1936 e 1975, a região ingressou em um ciclo de redução das chuvas, impactando o setor elétrico e a disponibilidade hídrica, principalmente em São Paulo, onde a população e a demanda por irrigação são muito maiores do que nas décadas de 50 e 60. O professor prevê uma nova crise hídrica entre 2025 e 2027, com base em um ciclo de aproximadamente 11 anos, semelhante ao ocorrido em 2003 e 2014/2015.
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Agronegócio, Aquifero Guarani e Conscientização
O agronegócio, com sua demanda por irrigação, é apontado como um fator que impacta o uso dos recursos hídricos. Embora a irrigação seja essencial para a produção de alimentos, seu uso precisa ser racional. O professor alerta para o desperdício de água, mesmo em regiões com acesso ao Aquífero Guarani, enfatizando a necessidade de conscientização e uso consciente dos recursos hídricos. Ele sugere medidas simples, como o uso de recipientes para lavar a louça e o aproveitamento da tecnologia, exemplificando com as máquinas de lavar roupa modernas, que consomem muito menos água que as antigas. A educação ambiental é crucial para mudar hábitos e promover o uso racional da água, revertendo o retrocesso na conscientização ambiental observada nos últimos anos.
A entrevista finaliza com um apelo à conscientização e à adoção de práticas sustentáveis no uso da água, destacando a importância da educação ambiental para garantir a preservação dos recursos hídricos para as gerações futuras.



