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Professor da USP alerta para aumento na ocupação de leitos de UTI para Covid-19 em Ribeirão Preto

Até essa quinta-feira (4), esse número era de 61%; nas enfermarias, a taxa era de 42,5%
leitos UTI Covid-19
Até essa quinta-feira (4), esse número era de 61%; nas enfermarias, a taxa era de 42,5%

Até essa quinta-feira (4), esse número era de 61%; nas enfermarias, a taxa era de 42,5%

Nesta entrevista à CBN, o professor Domingos Alves, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), expressou preocupação com a flexibilização da quarentena em Ribeirão Preto, diante do aumento de casos de Covid-19.

Números preocupantes e flexibilização temerária

Ribeirão Preto registrou um aumento recorde de casos, com mais 64 em 24 horas, totalizando 29 óbitos. Embora a prefeitura argumente que parte dos casos se refere a testes anteriores, o professor Alves destaca que esse aumento já reflete a flexibilização da quarentena. Ele projeta um aumento de 150% nos casos nos próximos dez dias caso a flexibilização seja mantida.

Impacto na saúde e ocupação hospitalar

O aumento de casos impacta diretamente na ocupação dos leitos de UTI, que já chegava a 61,2% em 4 de junho. O professor Alves critica o plano de relaxamento do Estado de São Paulo, que permitiria uma ocupação de até 80% dos leitos e o aumento do número de casos e óbitos sem mudança de fase. Ele o considera um plano de “sacrifício da população” e equivocado do ponto de vista econômico.

Recomendações e a necessidade de um lockdown

Para o professor Alves, medidas de relaxamento só devem ser adotadas com indicadores da epidemia (número de casos, óbitos e taxa de internação) controlados por um período de duas a três semanas. Ele defende a retomada de medidas de restrição, com apoio aos mais vulneráveis, como a população de baixa renda. A falta de testes suficientes e a ausência de monitoramento de contatos também são criticadas. O professor Alves acredita que, caso a flexibilização continue, um lockdown será necessário, mas que a decisão política de reabertura dificulta essa medida. Ele questiona a responsabilidade das autoridades diante de um possível agravamento da situação.

A entrevista finaliza com uma crítica ao governo federal, considerado o único no mundo sem preocupação real com o enfrentamento da Covid-19, atrasando a divulgação de dados e transferindo a responsabilidade para os governos estaduais e municipais. A falta de uma equipe técnica no Ministério da Saúde, aliada à liberação de apenas 7% da verba destinada ao combate à pandemia, é apontada como causa direta de mais da metade dos óbitos no Brasil.

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