Biólogo Dario Zamboni diz que ‘quanto mais grave o estado clínico, maior o nível de ativação das proteínas’.
Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) descobriram um conjunto de moléculas presentes nas células de defesa do corpo que podem ajudar a prever a gravidade da Covid-19. Em entrevista à CBN, o professor Daril Zamboni, do Departamento de Biologia Celular e Molecular da mesma instituição, explicou a importância dessa descoberta.
Moléculas e sua ação no organismo
As moléculas em questão, alvo de pesquisa do laboratório do professor Zamboni, são proteínas que atuam na defesa contra infecções. Em casos normais, elas combatem micróbios invasores. No entanto, na Covid-19, há uma superativação dessas moléculas, levando à piora do quadro clínico em casos moderados e graves.
Descoberta e métodos de pesquisa
O estudo envolveu diversas etapas. Os pesquisadores analisaram células de defesa de indivíduos saudáveis infectadas com o Sars-CoV-2 em laboratório, observando a ativação dessas proteínas. Também analisaram amostras de sangue e soro de pacientes internados, além de realizar autópsias em pacientes falecidos pela doença. A pesquisa mostrou que quanto maior a ativação dessas proteínas, mais grave era o quadro da Covid-19.
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O professor Zamboni utilizou a analogia de uma casa e o fogo para explicar o processo: as proteínas são como o fogo, benéfico em pequenas quantidades, mas prejudicial em excesso. Na Covid-19, a ativação descontrolada dessas proteínas causa danos ao organismo.
Próximos passos e implicações para o tratamento
O estudo, publicado em periódicos científicos internacionais, abre caminho para novas abordagens terapêuticas. A compreensão dos mecanismos da doença permite a busca por tratamentos que inibam essas proteínas, melhorando o quadro de pacientes com Covid-19 grave. Um ensaio clínico com a colchicina já mostra resultados promissores, reduzindo o tempo de hospitalização e oxigenação.
A pesquisa continua, buscando entender melhor os mecanismos de ação dessas proteínas e testar tratamentos existentes para inibi-las. Os resultados demonstram o impacto da pesquisa científica na busca por soluções para problemas de saúde pública, oferecendo esperança para o tratamento e a sobrevivência de pacientes com Covid-19.



