Para Domingos Alves, queda na ocupação de leitos disfarça atual cenário enfrentado por Ribeirão
O pesquisador da USP, Domingos Alves, concedeu entrevista à CBN sobre a situação da pandemia de Covid-19 em Ribeirão Preto após a cidade avançar para a fase amarela do Plano São Paulo.
Instabilidade na Pandemia
Segundo Alves, os dados não indicam estabilização nos casos, óbitos e internações. Houve uma pequena queda nas internações, mas logo houve um novo aumento. O pesquisador destaca que o aumento de leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em Ribeirão Preto resulta em um controle de danos, não um controle da epidemia. A taxa de ocupação de leitos gira em torno de 66% a 70%, o que não indica uma melhora significativa.
Conscientização da População
Apesar da flexibilização das medidas restritivas, Alves observa que a população não demonstra maior conscientização. Aglomerações foram observadas após a mudança de fase, indicando um esgotamento com as medidas de restrição e uma percepção equivocada de que a pandemia está sob controle. A mensagem de que a fase amarela representa um cenário seguro pode estar contribuindo para o aumento das aglomerações.
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Risco de Nova Onda
Alves acredita na possibilidade de uma nova onda de casos, ainda mais crítica, nos próximos dias. Ele lembra que, em maio, previu a duplicação de casos e óbitos após a transição para a fase laranja, o que se confirmou em 15 dias. Com a fase amarela, a preocupação é ainda maior, considerando o número de casos e óbitos já existentes (mais de 15 mil casos e 400 óbitos no momento da transição).
O pesquisador critica a incompatibilidade entre o processo de abertura e a diminuição de casos e óbitos observada até o momento, apontando que as decisões políticas têm priorizado aspectos eleitorais em detrimento da saúde pública. A situação é agravada pela percepção de esgotamento da população com as medidas de isolamento social, levando ao relaxamento das precauções. O pesquisador finaliza lamentando a perda de vidas e a influência da política em decisões cruciais de saúde pública, exemplificando com o recente falecimento de um médico de 32 anos e comparando a situação com países que já conseguiram controlar a pandemia.



