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Professor supera anos na Febem e conclui mestrado pela USP Ribeirão

Ouça o quinto capítulo da série 'Caminhos da Ressocialização'
mestrado Febem USP
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Cláudio Luiz da Silva, hoje com 44 anos, passou por uma infância marcada pela adversidade. Abandonado pela mãe aos três anos, ele viveu quatro anos no extinto Sama, serviço de amparo ao menor abandonado em Pragança Paulista (SP). Em suas palavras, o local era "um manicômio de menores", onde atividades de presídios substituíam as lúdicas, sem qualquer estrutura de separação ou profissionais qualificados.

Do Sama à Feben: A busca por acolhimento

Após o fechamento do Sama, Cláudio foi transferido para a Fundação de Amparo ao Menor Abandonado (Feben), em São Paulo. Lá, a falta de distinção entre menores abandonados e jovens envolvidos com o crime era evidente na unidade de recolhimento. Sem família para buscá-lo, Cláudio seguiu para uma unidade educacional em Linze, interior de São Paulo.

Linze: Uma nova chance

Em Linze, Cláudio encontrou uma nova oportunidade. Aos sete anos, ele começou a trabalhar e a estudar, construindo sua base emocional e estrutural. Foi ali, apaixonado por leitura, que aos 14 anos leu "A Cidade de Deus", de Santo Agostinho, obra que despertou nele o desejo de se tornar filósofo. Esse sonho o guiou por anos, conciliando trabalho em banco, fórum e publicidade com os estudos, culminando na graduação em Filosofia.

Da sala de aula ao mestrado na USP: Superação e reflexão

Após lecionar por 10 anos, Cláudio ingressou no mestrado em Saúde Mental na USP de Ribeirão Preto em 2019, concluindo-o em 2023. Sua trajetória de vida, marcada pela superação de adversidades, impulsiona um debate crucial sobre políticas públicas para menores abandonados e a capacidade da sociedade em acolher ex-internos. Cláudio questiona se a sociedade busca a salvação desses jovens ou outras vias, enfatizando a necessidade de romper com estereótipos e acreditar na possibilidade de uma segunda chance para todos. Sua história é um exemplo de resiliência e um apelo por uma sociedade mais justa e inclusiva.

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