Docentes afirmam que as escolas estão com problemas de infraestrutura, colocando profissionais e crianças em risco
A greve dos servidores municipais de Ibirá-Preto completa três dias sem acordo entre a prefeitura e os trabalhadores. A justiça suspendeu por cinco dias a liminar que obrigava o funcionamento de 100% dos serviços essenciais, como saúde e educação, fazendo com que os atendimentos continuem parciais.
Mobilização e reivindicações
Na manhã desta quarta-feira, os servidores se reuniram em frente à Secretaria da Educação. O protesto não se limita ao reajuste salarial, mas abrange também a busca por melhores condições de trabalho. Professores relatam a adesão massiva à greve em diversas unidades escolares. Na Escola de Educação Infantil Miguel Mousse, por exemplo, quase 80% dos funcionários cruzaram os braços, afetando 589 crianças. A professora Rita Portírio destaca os prejuízos causados às crianças pela interrupção das aulas e a necessidade de se adaptar novamente ao ritmo escolar após o retorno.
Condições precárias de trabalho e falta de investimentos
Em outras unidades, como a Creche Ortencia Pereira da Silva, a situação se repete. A professora Luciana Domingues afirma que a falta de investimentos da prefeitura compromete o dia a dia escolar e a qualidade do ensino. As denúncias incluem problemas estruturais graves, como rachaduras, problemas na caixa d’água e no parque de areia, colocando em risco a segurança de alunos e funcionários. A professora cita o caso de uma caixa d’água com risco de desabamento, situação conhecida pela prefeitura há mais de quatro anos, gerando um desperdício de água e uma conta de R$ 28.000,00. A falta de estrutura afeta diversas unidades, com o Ministério Público precisando intervir em alguns casos, inclusive com interdição de escolas por risco de incêndio.
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Consequências e perspectivas
A prefeitura admite a falta do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) na maioria das escolas e afirma estar tomando providências. A crise na educação culminou na demissão da secretária da Educação, Luciana Rodrigues, alegando problemas pessoais. Para o especialista em política e gestão educacional José Marcelino de Resende, os problemas resultam da falta de planejamento da prefeitura, que vai além da troca de secretários. A falta de diálogo com o Conselho Municipal de Educação e a ausência do prefeito nas escolas demonstram a gravidade da situação. A falta de recursos financeiros no início do ano, período em que a prefeitura recebe o IPTU e o IPVA, questiona a gestão dos recursos públicos destinados à educação. A falta de professores também agrava a situação, com a Associação de Profissionais da Educação de Ibirá-Preto apontando a falta de 600 professores na rede municipal. A situação levou pais de alunos a criarem abaixo-assinado para a contratação de professores de matemática e história, disciplinas que ficaram sem aulas no início do ano letivo.



