É a primeira vez que a ONG utiliza uma canção brasileira em suas publicidades; quem comenta sobre é o colunista Edmo Bernardes
Uma novidade tem chamado atenção nas pontas da música, do esporte e da publicidade: pela primeira vez, uma canção brasileira foi incorporada a uma campanha global de uma organização humanitária. O fato foi anunciado durante apresentação ao vivo da banda Paralamas do Sucesso e já movimenta debates sobre imagem, tecnologia e consumo de mídia.
Música e solidariedade
Os Paralamas do Sucesso permitiram que a faixa “Cuide Bem do Seu Amor” seja utilizada em campanhas institucionais da organização Médicos Sem Fronteiras. A estreia do material ocorreu no sábado, durante um show da banda, quando a campanha internacional foi apresentada ao público. Em entrevista coletiva, o baterista João Barone afirmou que a banda sente orgulho e honra por ver sua música integrada a ações humanitárias de alcance mundial.
Inovação publicitária nos estádios
No mundo do esporte, a veiculação de marcas e a tecnologia em campo também seguem em rápida transformação. A solução de reposição rápida de bola que esteve presente no Campeonato Carioca — divulgada em campanha pelo Mercado Livre — voltou a ser usada em partidas, inclusive no jogo em que o Flamengo sagrou-se campeão frente ao Nova Iguaçu.
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Paralelamente, o uso de placas digitais e conteúdos programados em estádios tem se disseminado. Em finais realizadas no Allianz Parque, por exemplo, houve integração de painéis dinâmicos que exibem anúncios conforme acontecimentos do jogo — gol, substituição ou apito final — estratégia já vista em ligas europeias como a Premier League, LaLiga e a Bundesliga. Marcas de apostas e serviços financeiros apareceram em momentos específicos da partida, com mensagens sincronizadas para ampliar a presença da marca na transmissão e nas arquibancadas.
Vídeo, consumo e a chegada da TV 3.0
O consumo de vídeo no país segue dominante: pesquisas do setor de mídia indicam que praticamente todos os lares brasileiros possuem algum aparelho para reprodução de vídeo e que boa parte do público dedica atenção maior ao formato audiovisual em relação a imagens e textos. Percentuais relevantes do público assistem tanto TV linear quanto vídeos online no cotidiano, enquanto uma parcela crescente consome somente conteúdo digital. O estudo também apontou que uma parcela significativa dos espectadores assiste ao vídeo até o fim — um dado importante para planejadores de conteúdo e anunciantes.
Esses comportamentos embasam o interesse do governo e da indústria pela chamada TV 3.0, anunciada recentemente. A promessa é de maior interatividade: conteúdos compráveis diretamente na tela, segmentação mais refinada do público e integração entre programação tradicional e plataformas digitais. Especialistas alertam, no entanto, para os desafios associados, como a privacidade dos dados e a medição correta de audiência em um cenário de múltiplas telas, em que o espectador pode acompanhar um mesmo evento por TV e smartphone simultaneamente.
Em comum, música, esporte e tecnologia demonstram que imagem e narrativa continuam sendo moedas valiosas para marcas e instituições — e que inovações na forma de entregar essas mensagens tendem a acelerar, exigindo atenção de consumidores, criadores e reguladores.