Voluntários separam os componentes eletrônicos e vendem para uma empresa em Ribeirão; renda é revertida a pacientes de hospital
Reciclagem de lixo eletrônico: uma iniciativa social em Araraquara
Em Araraquara, uma iniciativa transforma a reciclagem de lixo eletrônico em ferramenta de reabilitação social. Voluntários, pacientes em tratamento para alcoolismo e problemas psiquiátricos, trabalham na separação de materiais como plástico, alumínio, ferro, cobre e placas de equipamentos eletrônicos. O processo ocorre em duas etapas: desmontagem em uma sala e separação em outra, com cada componente destinado a uma sacola específica. Após a separação, o material é vendido para uma multinacional em Ribeirão Preto.
Reabilitação e impacto ambiental: um ciclo virtuoso
Esse projeto, que funciona há dois anos, proporciona mais do que a destinação correta do lixo eletrônico. Ele contribui para a reabilitação dos pacientes, resgatando sua dignidade e inserindo-os novamente na sociedade. A coordenadora pedagógica, Mayra Gomes, destaca a importância do trabalho para a autoestima dos pacientes: “Na alta [do tratamento], a gente encaminha para as oficinas. Ele é preparado para o trabalho, ele é inserido novamente na sociedade, então ele se sente útil, ele tem a sua dignidade resgatada.” A iniciativa também auxilia a população, oferecendo uma solução para o descarte de aparelhos eletrônicos quebrados.
Destinação correta e benefícios financeiros
A destinação correta do lixo eletrônico é crucial para a preservação do meio ambiente, como explica Elton Galvão, diretor de gestão ambiental do departamento de água e esgoto de Araraquara. Ele destaca os riscos à saúde e ao meio ambiente causados pelos componentes metálicos, soldas, metais pesados e mercúrio presentes nesses equipamentos. A cooperativa que recebe o material realiza uma separação minuciosa, comercializando cada tipo de resíduo. Além do benefício ambiental, a reciclagem gera recursos financeiros que ajudam a manter o projeto e oferecem um incentivo financeiro aos pacientes, contribuindo positivamente para sua recuperação e para a economia familiar, como explica Maurício Eugênio, coordenador técnico de projetos. Interessados em doar aparelhos eletrônicos que não funcionam mais podem levá-los à recepção da Casa Caibachutel, localizada na Vila Santa Cruz, em Araraquara.
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O trabalho realizado demonstra a força da união entre a responsabilidade social e a preservação ambiental. A iniciativa mostra como a destinação correta de resíduos eletrônicos pode se transformar em uma ferramenta poderosa de transformação social, gerando renda, reabilitando pessoas e protegendo o meio ambiente.



