A Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP) apresenta à Prefeitura nesta sexta-feira (23) um anteprojeto chamado Corredores Verdes, com critérios técnicos para o plantio de árvores nos canteiros centrais das avenidas. A proposta busca ampliar as áreas verdes da cidade e contribuir para enfrentar o calor intenso e os problemas relacionados à água da chuva.
Em entrevista ao Manhã CBN, o engenheiro agrônomo e vice-presidente da AEAARP, José Walter Figueiredo da Silva, explicou que a iniciativa prevê um projeto-piloto em um trecho da avenida Independência. O trabalho começou com um inventário arbóreo da via, desde a região do bairro João Rossi até a saída para a rodovia Anhanguera.
A proposta foi elaborada por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais das áreas de engenharia agronômica, ambiental e civil, com participação voluntária de estudantes de Arquitetura da Universidade Paulista (UNIP).
Jardins de chuva
Um dos principais elementos do projeto é a implantação de jardins de chuva nos canteiros centrais. A ideia é direcionar a água das chuvas para áreas preparadas para armazená-la temporariamente no solo, permitindo que ela abasteça árvores e arbustos e reduza a necessidade de irrigação.
Segundo Figueiredo da Silva, a estratégia também pode contribuir para a drenagem urbana, ao reter parte da água da chuva e diminuir o volume direcionado aos córregos e rios. O projeto prevê a escolha de espécies adequadas às condições de cada trecho, inclusive plantas que suportem períodos com maior acúmulo de água junto às raízes.
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O anteprojeto também propõe preservar as árvores existentes onde isso for possível e acrescentar novas espécies. Além da sombra e da redução da temperatura, os arbustos devem contribuir para o paisagismo, com plantas de diferentes cores. Algumas árvores previstas também poderão fornecer alimento para abelhas sem ferrão.
Expansão urbana
A proposta não se limita à avenida Independência. De acordo com o vice-presidente da AEAARP, a intenção é demonstrar a viabilidade do modelo em um trecho menor e, depois, avaliar a possibilidade de replicá-lo em outras avenidas de Ribeirão Preto, da região e de outras cidades brasileiras.
Durante a entrevista, Figueiredo da Silva também afirmou que a ideia pode ser aplicada em parques lineares ao longo dos córregos, ampliando a arborização e criando espaços mais agradáveis para a população. A implantação, porém, depende da avaliação do projeto e de sua eventual adoção pelo poder público.
O inventário arbóreo que embasa a proposta contou com a participação de estudantes de Arquitetura da UNIP, com apoio da professora e coordenadora Valéria. Segundo o engenheiro, o levantamento foi realizado de forma voluntária, como uma contribuição para o planejamento urbano do município.
Educação ambiental
Para que a iniciativa tenha continuidade, o representante da AEAARP destacou a importância da educação ambiental. Segundo ele, informar a população sobre a função dos jardins, das árvores e dos arbustos é fundamental para estimular o cuidado com os espaços públicos e evitar danos às mudas plantadas.
Figueiredo da Silva defende que a arborização seja tratada como um processo permanente, com implantação gradual, avaliação dos resultados e participação da comunidade. O anteprojeto Corredores Verdes será apresentado nesta quinta-feira, às 16h, na AEAARP, para detalhar a proposta.



